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CAMINHONEIROS PODEM PARAR NO DIA 9 DE NOVEMBRO

Paralisação dos caminhoneiros no ano passado. Foto: divulgaçãoParalisação dos caminhoneiros no ano passado. Foto: divulgação

Um grupo de caminhoneiros que participou da greve realizada no início do ano promete retomar as paralisações a partir da próxima semana. Em nota distribuída pela internet no mês de outubro, o Comando Nacional do Transporte (CNT), que se declara independente de sindicatos, diz que fará protesto no dia 9 de novembro. O Comando informa em seu comunicado que o ato já tem apoio do Movimento Brasil Livre e do Vem Pra Rua. O site Prefeitos & Governantes ouviu o líder da mobilização, Ivar Luiz Schmidt, 43, que vive em Mossoró (RN) e tem um caminhão. Em dezembro de 2014, criou o Comando Nacional do Transporte, que ganhou página no Facebook que tem mais de 24 mil curtidas. Em um de seus posts o grupo chama os seguidores para participar da vaquinha destinada a custear as despesas gerais das lideranças do grupo, bem como para a promoção da próxima paralisação nacional.

Confira a entrevista.

Ivar Luiz em dezembro de 2014, criou o Comando Nacional do Transporte, que ganhou página no Facebook que tem mais de 24 mil curtidas.

Ivar Luiz é o líder do Comando Nacional do Transporte. Crédito: divulgação

Como a paralisação ocorrerá?

A paralisação ocorrerá no dia 9 de novembro conforme anunciado, não impusemos horário para início. A orientação é que todos neste dia sigam para as suas casas e não trabalhem até que presidente Dilma Rousseff traga uma solução.

Por que parar agora?

Essa decisão do nosso movimento se ampara principalmente no fato de que o governo não atendeu reivindicações fáceis de serem atendidas, como, por exemplo, a anulação das multas referentes à manifestação passada. Mantivemos a mesma pauta de reivindicação de março, quando a maioria das estradas do país teve o fluxo interrompido por bloqueios dos caminhoneiros.

Quais são as reinvindicações?

A redução do preço do óleo diesel, criação do frete mínimo, anulação das multas referentes a manifestações anteriores, reserva de mercado de 40% nas cargas onde o governo, liberação de crédito com juros subsidiados no valor de 50 mil reais para transportadores autônomos, regulamentação da profissão de motorista, aposentadoria com 25 anos de contribuição, salário unificado em todo território nacional, bem como gratificações e fator previdenciário em 1% para as empresas de transporte de cargas.

 Os sindicalistas estão apoiando vocês?

Não existem sindicalistas no movimento. Nos unimos aos Movimentos Brasil Livre, Vem Pra Rua, Revoltados Online e Avança Brasil. Também temos o apoio de 18 estados e 90% dessa mobilização está sendo realizada pelo whatsapp por meio de grupos.

O Comando é representado por quem? Quem é o líder?

É representado por quem adere a paralisação. No momento eu estou à frente da mobilização.

Quando essa paralisação terá fim?

Não sabemos ainda, mas também temos interesse em fazermos uma marcha até Brasília onde também vamos mobilizar mais caminhoneiros a parar. Será no dia 15 de novembro.

 

Caminhões durante a paralisação de 2014.

Caminhões durante a paralisação de 2014. Crédito da foto: divulgação

Sindicatos dizem desconhecer as ações do Comando

O site ainda falou com sindicalistas da classe, porém alguns não souberam explicar do que se trata a ação do Comando dos Transportes e um até afirmou falta de representatividade. É o que afirma Neori Leobet, o ‘Tigrão’, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná. “Esse pessoal que está se intitulando como ‘liderança’ quer só se aproveitar do momento de crise. São todas pautas que reivindicamos há dez anos”, diz.

Segundo ele, são os sindicatos, que têm conhecimento da categoria há vários anos, que lutam pela classe com mais prioridade. “Não podemos deixar que o caminhoneiro pare na beira da estrada e seja multado. Não queremos isso para ninguém. Se for para ter paralização, tem que ter pauta, discutir com os caminhoneiros e levar ao ministro e ao conhecimento da presidência”, completa.

“Não existe nenhuma possibilidade de atender ao chamado dessa entidade porque não estamos sabendo dessa mobilização. Trabalhamos há dez anos com caminhoneiros autônomos e não há possibilidade de paralização nesse momento”, afirma o presidente dos Sindicatos dos Transportes Rodoviários Autônomos (SINDICAM-SP), Norival de Almeida Silva.

Para Edgar Laurini, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Tangará da Serra, por enquanto não há nada certo da paralisação da categoria em Mato Grosso. “Não posso falar por todos, mas o sindicato aqui em Tangará, no princípio, não vai parar as atividades”, disse Laurini, que foi um dos líderes do movimento passado no Estado.

Segundo Gilson Baitaca, um dos líderes da classe na paralisação no início de 2015, essa nova manifestação parece ter um viés político, pedindo pelo impeachment da presidente Dilma Roussef e explicou que não fará parte dela. “A luta pelo transporte é o nosso foco e isso nós estamos acompanhando, mas até agora não vejo uma articulação forte no Estado”, afirmou.

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Colatto é um dos autores de uma proposta que baratearia o preço do diesel em até R$ 0,50 por litro. Crédito: Assessoria/PMDB

Deputado afirma que greve acontecerá

Conversamos também com o parlamentar Valdir Colatto (PMDB-SC), que na primeira metade de outubro já havia alertado sobre a possibilidade de nova greve dos caminhoneiros, durante almoço da Frente Agropecuária, em Brasília. Colatto é um dos autores da emenda vetada pela presidente Dilma Rousseff, que prevê a isenção de impostos para o combustível, proposta que baratearia o preço do diesel em até R$ 0,50 por litro.

A causa da greve, conforme divulgado pelo peemedebista, seria o descumprimento pelo governo federal do acordo selado com a categoria, que contemplava pontos como o parcelamento das dívidas com bancos, barateamento do diesel e a instituição de uma política de preço mínimo para o frete. “A greve acontecerá mais do que nunca porque o pessoal está se organizando e a decisão já foi tomada por eles, não adianta mais correr atrás. Na primeira hora do dia 9 de novembro eles vão parar”, afirma o deputado Valdir Colatto.

Apesar dessa certeza, o parlamentar diz que nem os mobilizadores da paralisação sabem quem é que vai aderir a greve. “Eles não sabem que estado vai parar, quem vai parar, mas terá. Em minha opinião greve não é bom para ninguém, mas o que eles estão reivindicando é legítimo. É necessário que o governo cumpra o que prometeu no passado”, salienta ele.

“O que é triste nisso tudo não é só essa nova paralisação. É a falta de credibilidade do governo. Eles não acreditam que o governo vá trazer uma solução prática para a classe. Não quiseram nem nos receber. Propusemos um diálogo, mas não adiantou. Estão partindo para algo mais radical. Se tiver adesão o movimento será grande e complicado”, conclui o deputado.

Por Diana Gilli

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1 Comentário em "CAMINHONEIROS PODEM PARAR NO DIA 9 DE NOVEMBRO"

  1. Creio que essa paralisação não levará a nada. Já não nos trouxeram nenhuma solução no ano passado. Não nos trarão mais nada novo.

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