FHC É APONTADO COMO EXEMPLO DE LIDERANÇA

O ex-presidente durante uma de suas palestras que costuma ministrar para empresários. Crédito: divulgação

Por Diana Gilli

“Precisamos de alguém que leve o processo todo dia”, disse Cardoso a um auditório lotado de empresários. Segundo FHC, “a estrutura montada é tão antiquada que ela (a presidente Dilma) precisou mudar. Tem quer haver mudança na estrutura de comando, e não estou falando de impeachment.” 

O legado da liderança do ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, foi destaque recentemente em uma reportagem da revista britânica “The Economist”. De acordo com a publicação, no momento em que o País vive “o que pode ser sua pior crise desde a recessão de 1930, o papel do político como pensador é mais importante do que nunca.” A afirmação vem de encontro com o lançamento do seu livro “Diários do Presidente”. O sociólogo e político conta que gravou o diário em áudio, por sugestão de uma amiga e a transcrição dessas gravações deram origem ao livro.

Nas primeiras páginas, FHC avisa que amenizou algumas coisas porque no momento usou palavras que não seriam mais adequadas para o tempo atual. Mesmo assim, o ex-presidente afirmou que nunca tirou o sentido do que queria dizer. Em um trecho gravado em agosto de 1995, o ex-presidente menciona a palavra “chantagem” e diz que se espanta com a força do Congresso. “Embora o poder do Executivo seja imenso, o poder de chantagem do Congresso é muito grande”, disse.

Em outra passagem, do mesmo período, FHC reclama dos pedidos de partidos políticos por cargos e se diz exausto dessa questão de “nomeia, não nomeia”. “Se o presidente não escuta, os outros não falam. Você tem que provocar. Eu sempre escutei, é isso que um líder faz. Todo mundo. Mesmo os deputados, aqueles que eram considerados perigosíssimos”.

Recentemente Fernando Henrique foi requisitado a palestrar em mais um fórum empresarial sobre os anos em que esteve no poder e como agiu nos momentos de crise. Desta vez em São Paulo, o ex-presidente declarou que o Brasil “está sem foco e precisa urgentemente de uma nova liderança para ajudar o Brasil a superar o atual momento de crise política e econômica.”

Questionado durante o evento se a afirmação teria sido uma indireta à presidente Dilma Rousseff, o tucano voltou a se posicionar contra o impeachment da petista ao declarar que mudar a pessoa não resolve o problema da falta de legitimidade do governo. A revista britânica também cita essa questão ao falar de FHC. “O ex-presidente não apoia o impeachment. Ele afirma que é necessário que haja um motivo legal assim como pressão social.”

Quando apontou questões da economia do país, FHC chegou a elogiar a reação do governo brasileiro no enfrentamento à crise financeira de 2008. Na ocasião, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou o crédito e estimulou consumo para enfrentar as turbulências no mercado financeiro. “O Brasil conseguiu superar aquele momento de dificuldade. Só que aquilo deu a ilusão de que tínhamos descoberto a pólvora”, declarou FHC.

Sobre o ponto de vista tecnológico, o político disse que o país está atrasado ao ter apostado em políticas de conteúdo nacional e em uma participação mínima de 30% da Petrobras na exploração do pré-sal. “Voltamos a uma visão pré-globalização”, afirmou.

Para ele, com a crise fiscal, medidas precisam ser tomadas e sem liderança não se sai do impasse. “Precisamos de alguém que leve o processo todo dia”, disse Cardoso a um auditório lotado de empresários. Segundo FHC, “a estrutura montada é tão antiquada que ela (a presidente Dilma) precisou mudar. Tem quer haver mudança na estrutura de comando, e não estou falando de impeachment”, explicou.

Fernando Henrique ainda afirmou que problemas na política e economia acontecem pela fragmentação partidária no Congresso Nacional. “Nós tínhamos Tinham 39 ministérios por isso. Os partidos se organizam para obter um pedaço do orçamento”, disse.

Cardoso ainda destacou que mesmo com todos esses desafios, o país se desenvolveu institucionalmente em meio a um cenário de instabilidade política e econômica. Para ele, “se fosse há 20 ou 30 anos atrás, estaríamos discutindo agora os nomes dos generais. Mas discutimos os nomes dos juízes. É um avanço institucional”, concluiu.

Status de pensador

O artigo “O Político como Pensador”, da revista “The Economist”, narra FHC como um estadista social, que combateu a inflação e modernizou a economia do país por meio da privatização e pela abertura ao investimento estrangeiro. Ainda deu início a programas sociais que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva massificou. Mas no segundo mandato de FHC o país passou por instabilidade que ”também atingiu outros emergentes”. “Ele demorou muito para fazer o real flutuar”, aponta a revista. “E deixou o cargo com a popularidade abaixo do que chegou a atingir.” Pondera, porém, que, aos 84 anos, FHC “está vendo o renascimento de sua reputação”.

A publicação ainda continua: “é impressionante que de acordo com pesquisas, a oposição não tenha conseguido angariar dividendos políticos com a fraqueza do PT e do governo”. Fernando Henrique Cardoso também concordou e acredita que o PSDB deveria tomar posições mais ousadas. A revista diz que “seus críticos argumentam que ele falha nos incentivos para renovar o partido, como eleições primárias, por exemplo, mas seu papel como pensador é mais importante do que nunca”.

 

 

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