MINAS GERAIS: AS CONSEQUÊNCIAS DA TRAGÉDIA

O rompimento de duas barragens no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, deixou dezenas de pessoas feridas e desabrigadas,

“Se não tiver mineração, não tem prédios, não tem viadutos…Precisamos de ferro para fazer fundações. Vamos viver só com a natureza?”. O questionamento de engenheiros de minas vai de encontro com o pensamento de defensores do meio ambiente, e o mais difícil tem sido encontrar um equilíbrio. O desastre ambiental em Mariana – considerado o maior do país na última década – afetou ao menos 30 cidades de Minas e do Espírito Santo (ES) e assoreou parte do rio Doce, que corta os dois Estados.

Os impactos sociais e ambientais, diretos e indiretos, provocados pelo rompimento das barragens da Samarco podem demandar anos para ser mensurados. Biólogos estimam que todo o ecossistema do rio Doce seja devastado com a lama e que a recuperação leve um século. Já as áreas onde os rejeitos se depositaram, como no distrito de Bento Rodrigues, podem não ser recuperadas.

“Por onde a lama passa, leva junto os animais. Mas não é a primeira vez que rompe uma barragem, precisamos de planos emergenciais eficazes, que prevejam esses impactos”, afirmou o geógrafo e pesquisador Klemens Laschefski. Cidades localizadas perto de barragens estão se mobilizando para exigir os planos de contingência. “Não estamos fazendo terror, estamos cobrando o direito de sermos informados sobre o risco e saber o que temos que fazer”, defendeu Sandoval Souza Pinto, da União das Associações Comunitárias de Congonhas, na região Central de Minas.

Na Austrália, que também produz minério, as barragens ficam no deserto, longe das moradias. Para o geólogo Eduardo Marques, não dá mais para gerar essa quantidade de rejeito. “Não vai ter mais lugar para colocar. Estudos estatísticos realizados no Canadá mostram que a probabilidade é de duas barragens se romperem a cada dez anos”, afirma.

Conforme o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), o governo de Minas e a Samarco estão trabalhando para definir um plano de ação para mitigação dos danos causados pelo rompimento. Algumas medidas emergenciais foram adotadas e agora serão definidas as ações a médio e longo prazos. O governo instituiu uma força-tarefa para diagnosticar, analisar e propor alterações nas normas estaduais relativas à disposição de rejeitos de mineração.

A mineração produz diversos impactos ambientais, entre eles o passivo deixado pelas barragens de rejeitos desativadas, que se tornam “inúteis”. A Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) não informou quantas estruturas não estão mais em operação em Minas. Uma das alternativas às barragens inativas é a cobertura vegetal.

O Tempo

 

 

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