Smart cities: o que são? Quais são? Descubra agora!

O trânsito não existe. Os edifícios são projetados para aproveitar os recursos naturais a fim de otimizar a utilização de energia. O lixo é sugado por meio de tubos subterrâneos e uma sala de comando controla absolutamente cada movimento de Songdo, cidade inteligente que está sendo construída na Coreia do Sul, a 56 quilômetros de Seul, a capital. Com capacidade para abrigar 65 mil moradores, o lugar foi projetado para ser um centro de negócios global e tem previsão para estar finalizada no ano que vem. Custou US$ 35 bilhões, financiados por meio de uma parceria entre o governo sul-coreano e grandes empresas americanas. As Smart Cities, ou cidades inteligentes, têm como premissa o uso das tecnologias para melhorar a qualidade de vida. E gerar dinheiro.

Embora não existam métricas consagradas que mostrem uma relação direta entre cidade inteligente e atração de investimentos ou geração de riqueza, especialistas afirmam que esse vínculo é imediato. Empresas e trabalhadores qualificados tendem a buscar cidades assim. E isso pode ser medido por um estudo da consultoria Frost & Sullivan, que prevê um mercado de US$ 2,4 trilhões em 2025, trazendo junto segmentos como o de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), a tecnologia que permite a comunicação entre objetos, sejam postes de luz, carros ou câmeras de monitoramento. Apenas em IoT o volume será de US$ 330 bilhões em 2025 – mais de quatro vezes os US$ 79,3 bilhões movimentados em 2018, de acordo com a consultoria americana Zion.

Hoje, 55% da população mundial, ou 4,2 bilhões de pessoas, se espremem em centros urbanos. Para além do objetivo de otimizar a convivência entre os cidadãos e o meio ambiente, essas iniciativas são também grandes laboratórios para as companhias testarem seus produtos. Não à toa, gigantes como Cisco, IBM, Microsoft e Siemens implementam as suas soluções nos principais centros urbanos do mundo. A Cisco testa uma plataforma de serviço de nuvem que conecta sensores de tráfego e estacionamentos em tempo real em dezenas de capitais, como Copenhague, Nova York e Paris. Nova York, acredite, foi considerada a cidade mais inteligente do mundo em 2018, de acordo com um ranking da Iese, a escola de negócios da Universidade de Navarra (Espanha).

 Mas o que é exatamente uma smart city?

É uma estrutura composta predominantemente por Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), para desenvolver, implementar e promover práticas de desenvolvimento sustentável para enfrentar os crescentes desafios da urbanização. Grande parte dessa estrutura de TIC é essencialmente uma rede inteligente de máquinas e objetos conectados que transmitem dados usando a tecnologia sem fio e a nuvem. Os aplicativos de IoT baseados na nuvem recebem, analisam e gerenciam dados em tempo real para ajudar municípios, empresas e cidadãos a tomar melhores decisões, instantaneamente, que melhoram a qualidade de vida.

Os cidadãos interagem com os ecossistemas das cidades inteligentes de várias maneiras, usando smartphones e dispositivos móveis, além de veículos e residências conectados. O emparelhamento de dispositivos e dados com a infraestrutura física e os serviços de uma cidade pode reduzir custos e melhorar a sustentabilidade. Com a ajuda da IoT, as comunidades podem melhorar a distribuição de energia, otimizar a coleta de lixo, reduzir o congestionamento do tráfego e até melhorar a qualidade do ar.

Por exemplo, os semáforos conectados recebem dados de sensores e carros, o que ajusta a cadência da luz e do tempo para responder ao tráfego em tempo real. Isso reduz o congestionamento da estrada. Os carros conectados podem se comunicar com parquímetros, estações de carregamento de veículos elétricos e motoristas diretos até o local mais próximo disponível. Lixeiras inteligentes enviam dados automaticamente para empresas de gerenciamento de resíduos e agendam a coleta conforme necessário, em vez de responder a um calendário planejado anteriormente. E o smartphone dos cidadãos se torna sua carteira de motorista e cartão de identificação móvel, o que acelera e simplifica os serviços do governo. Juntas, essas tecnologias de cidades inteligentes estão otimizando a infraestrutura, a mobilidade e os serviços públicos.

Por que são necessárias?

A urbanização é um fenômeno sem fim. Hoje, 54% das pessoas em todo o mundo vivem nas cidades, uma proporção que deve chegar a 66% até 2050. Em combinação com o crescimento geral da população, a urbanização adicionará outros 2,5 bilhões de pessoas às cidades. cidades nas próximas três décadas. A sustentabilidade ambiental, social e econômica é uma necessidade fundamental para acompanhar essa rápida expansão que está desafiando os recursos de nossas cidades.

Felizmente, mais de 190 países concordaram em metas de crescimento sustentável: a tecnologia das cidades inteligentes é fundamental para o sucesso e o cumprimento dessas metas.

Cidade do Google no Canadá

Aos poucos, são divulgados mais detalhes de uma das mais ambiciosas iniciativas da dona do Google, a Alphabet: um bairro planejado dentro de Toronto, no Canadá, que servirá como modelo de “smart city”, desenvolvido em parceria com a Waterfront Toronto, entidade formada por autoridades municipais, estaduais e federais canadenses.

Em agosto passado, algumas características foram reveladas, como a predominância de estruturas altas de madeira e uma estimativa de 3 mil habitações.

Agora, no entanto, foram divulgadas as primeiras projeções gráficas do novo bairro. As imagens mostram, como prometido, um ambiente repleto de prédios de madeira, uma das ideias para dar um caráter sustentável ao empreendimento.

As grandes construções de madeira têm estado no foco de construtoras e escritórios de arquitetura. Menor emissão de carbono e o fato do recurso natural ser renovável a partir do reflorestamento tornam o material indicado – além de dar um ar bucólico aos prédios.

Outro detalhe envolvendo as construções é seu caráter modular: construídas com blocos hexagonais, alguma delas poderão ser adaptadas para diferentes usos conforme a necessidade.

A sustentabilidade está presente também no uso de energia. Painéis fotovoltaicos estarão espalhados por todo o espaço, assim como a captação de energia geotérmica – a partir do calor no interior da terra. Há também a expectativa de que 80% do lixo seja aproveitado, seja na forma de reciclagem ou de compostagem no caso dos rejeitos orgânicos.

Para evitar a superlotação de caminhões e motoqueiros, a Sidewalk, empresa da Alphabet responsável pelo projeto, planeja também uma rede de túneis subterrâneos para a realização de entregas e transporte de materiais. Ao menos para encomendas pequenas, a expectativa é otimizar a logística dessa forma, inclusive utilizando robôs para tanto.

No lado tecnológico, fibra óptica e wi-fi em velocidade 5G são outras promessas – apesar da quinta geração da internet móvel ainda não estar implantada e ser alvo de disputa entre China e Estados Unidos.

É nesse aspecto, também, que está a maior polêmica do projeto de Quayside, que já fez com que alguns desenvolvedores deixassem a iniciativa: a coleta de dados.

A doutora Ann Ann Cavoukian se demitiu em outubro passado alegando que, diferentemente do que foi prometido inicialmente, as informações coletadas dos ocupantes do bairro inteligente não seriam anônimas. Segundo ela, há a intenção de que os dados sejam identificáveis e disponibilizados para terceiros, que poderiam explorá-los comercialmente.

É bom notar que, apesar das projeções indicarem o rumo do projeto, o caráter definitivo ainda não foi aprovado pela Alphabet, e muito menos pelas autoridades regulatórias de Toronto e do Canadá.

 

Ranking da inteligência

Desde 2015, a Urban Systems realiza um ranking anual com 11 categorias (mobilidade e acessibilidade, meio ambiente, urbanismo, tecnologia e inovação, saúde, segurança, educação, empreendedorismo, energia, governança e economia para premiar as principais cidades brasileiras que se destacam na inovação.

“O ranking serve para as cidades criarem um plano de ação, com startups, academia, e identificar quem são os parceiros que vão transformar a cidade com inovação e empreendedorismo”, descreveu Willian Rigon, diretor de marketing da empresa, no evento Connected Smart Cities.

A formulação do ranking é uma compilação de estudos realizados ao redor do mundo com um viés para a realidade brasileira.

Veja abaixo as 20 cidades mais inteligentes do Brasil em 2019 e as campeãs por categoria desde o início do estudo em 2015, segundo o ranking da Urban Systems.

 

POSIÇÃO MUNICÍPIO (UF) NOTA
1o Campinas – SP 38,977
2o São Paulo – SP 38,505
3o Curitiba – PR 38,016
4o Brasília – DF 37,979
5o São Caetano do Sul – SP 37,816
6o Santos – SP 37,458
7o Florianópolis – SC 37,258
8o Vitória – ES 36,814
9o Blumenau – SC 35,731
10o Jundiaí – SP 35,417
11o Campo Grande – MS 35,219
12o Niterói – RJ 35,172
13o Belo Horizonte – MG 34,941
14o Rio de Janeiro – RJ 34,741
15o Joinville – SC 34,699
16o Itajaí – SC 34,604
17o Balneário Camboriú – SC 34,591
18o São Bernardo do Campo – SP 34,576
19o Palmas – TO 34,437
20o Porto Alegre – RS 34,209

 

CLASSIFICAÇÃO GERAL RANKING CONNECTED SMART CITIES
2019 2018 2017 2016 2015
Connected Smart Cities Campinas Curitiba São Paulo São Paulo Rio de Janeiro
Mobilidade e Acessibilidade São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo
Urbanismo Curitiba São Paulo Santos Curitiba Curitiba
Meio Ambiente Santos Santos Belo Horizonte Belo Horizonte Belo Horizonte
Energia Pirassununga Tubarão Guarapuava Guarapuava
Tecnologia e Inovação Campinas Rio de Janeiro Rio de Janeiro São Paulo São Paulo
Saúde Vitória Vitória Vitória Vitória Vitória
Segurança Balneário Camboriú Ipojuca Vinhedo Ipojuca Ipojuca
Educação São Caetano do Sul Vitória Curitiba Vitória Vitória
Empreendedorismo Rio de Janeiro Rio de Janeiro São Paulo Rio de Janeiro Rio de Janeiro
Governança Brasília Curitiba Barueri Curitiba Curitiba
Economia Campinas Barueri Barueri Rio de Janeiro Rio de Janeiro

 

Pelo Brasil

A cidade de São Paulo foi considerada a segunda cidade mais inteligente e conectada do Brasil em 2019, segundo resultado da quinta edição do Ranking Connected Smart Cities. Em primeiro lugar está Campinas, no interior do Estado. O relatório avalia indicadores de 11 principais setores: mobilidade, urbanismo, meio ambiente, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo, governança e energia.

De acordo com o diretor de Smart Cities da Itron, empresa especializadas em tecnologias em Cidades Inteligentes, Helder Bufarah, o conceito de cidade inteligente leva em consideração um planejamento integrado e o uso de tecnologias para um desenvolvimento sustentável do município.

Um exemplo está ligado a distribuição de água. O Brasil perde em média 38% da água tratada. “O uso de tecnologia permite o gerenciamento, controle e supervisão desta distribuição para evitar a perda e assim economizar o recurso para abastecer mais pessoas”, explicou Bufarah.

São Paulo é considerado como o centro financeiro do Brasil e está entre as cidades mais populosas do mundo com mais de 12 milhões de habitantes. O município tem PIB (Produto Interno Bruto) estimado em R$ 650,544 bilhões. “A transformação da cidade é um processo contínuo e participativo. O desenvolvimento precisa ser constante e feito de forma que se torne sustentável e não apenas um surto”, avaliou Helder Bufarah.

O especialista em cidades inteligentes Renato de Castro revelou em palestra ao TED Talk que em 2016, 18 pessoas mudaram-se para São Paulo por minuto. Como resultado, foram quase 10 milhões de novos habitantes somente naquele ano. Esse acréscimo pode ser percebido na economia, no trânsito, na saúde pública e em inúmeras outras áreas que impactam diretamente na vida de todos os cidadãos.

Curitiba

Curitiba foi eleita uma das 21 cidades mais inteligentes do mundo de 2019 pelo Intelligent Community Forum (ICF), grupo também formado por cidades como Chicago (EUA), Moscou (Rússia) e Winnipeg (Canadá). O reconhecimento internacional foi destaque da apresentação de John Jung, diretor do ICF Canadá, nesta quinta-feira (21/3), primeiro dia do Smart City Expo Curitiba 2019.

“A capital do Paraná reúne todos os quesitos para fazer parte do Smart21 Intelligent Communities, como uma infraestrutura urbana referência internacional, um ecossistema de inovação atuante e a vontade política de constantemente se reinventar”, avaliou o executivo, que participou do debate Da Visão à Ação: Implementando Projetos de Cidades Inteligentes e o Papel das Autoridades Locais.

Jung contou que as 21 cidades que integram o Smart21 Intelligent Communities de 2019 foram selecionadas, no ano passado, com base em dados quantitativos e qualitativos submetidos ao ICF e por uma pesquisa independente, que é avaliada por um grupo de analistas liderados pelo ex-executivo da Cisco, Norman Jacknis.

A análise, acrescentou ele, foi baseada no Método ICF, que fornece a estrutura conceitual para entender os fatores que determinam a competitividade de uma comunidade em termos econômicos, sociais e culturais.

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Ceará

O Grupo Planet, formado por empresas inglesas, italianas e brasileiras, está desenvolvendo em São Gonçalo do Amarante (CE), na Região Metropolitana de Fortaleza, a primeira Cidade Inteligente Social do Mundo: a Smart City Laguna. O empreendimento une inovação, tecnologia, sustentabilidade, planejamento urbano moderno e soluções de mobilidade em um só lugar.

Quem está à frente dessa inciativa é Susanna Marchionni, CEO do grupo no Brasil, que contou detalhes sobre o projeto em conversa com o Startupi. Ela também será responsável pela estruturação de outras cinco smart cities no Brasil nos próximos três anos, e participará da expansão do projeto para a Índia e o México.

Susanna diz que o negócio começou com um projeto de pessoas sonhadoras que queriam mudar a forma de morar no Brasil e no mundo e o resultado foi um grande sucesso. “Chegamos do outro lado do mundo com um projeto super inovador, mas o público entendeu e confiou. Os primeiros compradores foram as pessoas que mais acreditaram no projeto e eu sou muito grata a eles”.

Por que São Gonçalo do Amarante?

Susanna conta que o Grupo priorizava um local com forte desenvolvimento econômico. E em 2011, se depararam com uma reportagem da revista britânica The Economist que citava os 10 melhores locais no mundo para se investir e um deles era a região do Porto do Pecém, município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará.

Ao visitar a região, acharam o local muito interessante, pois contava com a Companhia Siderúrgica do Pecém e a Zona de Processamento de Exportação. “Encontramos o local certo com fibra óptica, grande desenvolvimento econômico e grande déficit habitacional, tudo isso constatado após a realização de um estudo de quatro meses feito pela Universidade de Milão”, conta.

Cidade Inteligente Social?

O conceito de uma cidade inteligente vai além de áreas urbanas planejadas. É, na verdade, um programa social que visa o desenvolvimento e crescimento da sociedade através da utilização de recursos tecnológicos e sustentáveis.

“Colocar uma iluminação de LED não é construir uma cidade inteligente, a cidade precisa ter serviços, tecnologia e infraestrutura. Cidades inteligentes estão sendo construídas em todos os lugares, mas o público geralmente é o mesmo: os ricos”, destaca Susanna.

Ela conta que a primeira cidade inteligente do mundo foi construída em Masdar City, nos Emirados Árabes. Lá o valor do metro quadrado é US$10 mil. Já no Ceará, um lote de 150 metros quadrados é vendido por R$30 mil. A menor casa, de 55 metros quadrados, custa R$95 mil e a maior pode chegar até R$145 mil.

 

 

A Smart City Laguna terá uma área total de 330 hectares, sendo aproximadamente 620 mil metros quadrados de área verde distribuídas por toda cidade. Será composta por cerca de 7 mil lotes, entre residenciais, comerciais e empresariais, além disso, toda a cidade inteligente será saneada e pavimentada.

 

Durante o primeiro semestre de 2018, foi concluída a entrega de 100% da primeira etapa, ou seja, 1.808 lotes, e todo empreendimento encerrou o ano atingindo a marca de aproximadamente 3 mil lotes vendidos.

Com infraestrutura de alto padrão, o modelo conta com um aplicativo gratuito para os moradores que é capaz de integrar as diferentes funções e serviços de uma casa remotamente como ligar e desligar os dispositivos, monitorar seu consumo de energia e muito mais.

Além disso, todos os moradores contam com uma infraestrutura social gratuita que inclui: biblioteca, cinema, curso de inglês, curso de empreendedorismo, curso de computação entre outros.

“Comprar uma casa na cidade inteligente significa ter tudo isso a disposição. No futuro as pessoas não vão mais apenas escolher a casa ou o apartamento onde querem morar, mas sim o que está ao redor”.

A Smart City Laguna conta também com um polo tecnológico e empresarial, o Smart City Ecopark, que possui uma infraestrutura de alta qualidade e foi planejado para receber empresas com propostas sustentáveis e economicamente positivas.

Ecossistema de inovação

No evento Connected Smart Cities 2019, que aconteceu em setembro, na cidade de São Paulo, prefeitos e secretários de três estados brasileiros e do Distrito Federal apontaram como estão desenvolvendo ecossistemas de inovação em suas respectivas cidades, debaterem como serem inovadores em um período de cortes orçamentários e opinaram sobre o que é necessário para a retomada do crescimento econômico do Brasil.

Seria possível uma secretaria funcionar como uma startup? Para Gilvan Máximo, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal, isso é uma realidade. O político elencou a internet aberta em locais públicos, câmeras inteligentes e mobilidade elétrica como as últimas inovações na sua região.

“O wi-fi social gratuito já conta com 150 pontos na cidade e temos 400 ônibus funcionando com este sistema. Além desse projeto, a PPP de iluminação pública está em andamento para colocarmos mais de 50 mil câmeras espalhadas por todo o Distrito Federal, para implementar de vez a cidade totalmente inteligente”, diz Máximo. “E ainda a BMW cedeu 27 carros elétricos para o Governador, vice-governador e todo secretariado de Brasília.”

O secretário municipal de Inovação e Tecnologia da cidade de São Paulo, Daniel Annenberg, entende que a tecnologia é o meio pelo qual o poder Executivo local pode tornar a cidade melhor para os cidadãos. “Não adianta nada ter Inteligência das Coisas e Inteligência Artificial, se a gente não melhora os serviços públicos, se a gente não faz com que o cidadão tenha que se deslocar menos pela cidade”, explica Annenberg. “Desde o fim do ano passado não entra mais papel na prefeitura, temos serviços eletrônicos, como o Empreenda Fácil que permitiu abrir uma empresa na cidade de São Paulo em cinco dias. E vamos quintuplicar o número de wi-fis públicos, pois não adianta ter acesso à Internet na Faria Lima e não ter nas zonas leste e sul, causando uma exclusão digital.”

Já Luciano Rezende, prefeito de Vitória, é taxativo sobre a tendência do sumiço do governo vertical e analógico, com a chegada do governo horizontal e conectado nas cidades inteligentes. “Uma cidade que não está conectada, não consegue entrar no debate e se movimentar com a sociedade que está toda em rede e horizontal. O governo que vai sobreviver é reto, transparente, eficiente e online para que todos possam acessá-lo”, aponta Rezende.

Sobre as ações de inovação na capital do Espírito Santo, o atual prefeito destaca como a inteligência artificial faz parte do cotidiano. “Na área de segurança pública a cidade de Vitória tem um Centro Inteligente de Segurança que fotografa, filma, armazena, responde a perguntas, interage e busca soluções em relação ao banco de dados que produz.”

No caso da cidade de Curitiba, Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento, comenta que a inovação na região aconteceu através da mudança de cultura no poder público, além do envolvimento de todas as secretarias do município. ”A gente transformou essa visão de tecnologia em um governo integrado, abrindo ao ecossistema de inovação, com o Sistema Vale do Pinhão, que traz incentivos fiscais às empresas de tecnologia, urbanização e sustentabilidade com novas energias e prédios verdes, promoção da cultura de inovação e educação empreendedora, e tecnologia para desburocratizar os serviços e colocá-los mais próximos ao cidadão digitalizado”, explica.

Para Jonas Donizette, prefeito de Campinas — eleita a principal cidade inteligente do Brasil em 2019 — conta que a inovação começou quando a classe política na cidade se questionou em como projetar a sociedade para as próximas décadas, através dos estudos da consultoria Urban System, uma consultoria de gerenciamento urbano. “O que fez a diferença em Campinas foi que fizemos um plano estratégico, que envolveu toda cidade. Nós trouxemos a Unicamp, CPQD, Instituto Agronômico, Instituto Eldorado e a sociedade como um todo para pensar ‘Como nós vamos projetar a nossa sociedade?”, explica. “Outro ponto muito importante foi envolver os nossos estudantes, as nossas escolas e criar uma conscientização de uma cidade diferenciada.”

Na visão de Luiz Fernando Machado, prefeito de Jundiaí, a gestão pública ainda é analógica enquanto a sociedade está cada vez mais digital. “Tecnologia é o meio e não o fim. Construímos um Fablab, onde as crianças aprendem fazendo. E introduzimos cursos de inglês e italiano na nossa rede municipal. Também realizamos uma parceria de evento com a NASA , no Science Day, que incentiva a ciência”, conta Machado ao descrever as novas ações de inovação promovidas na cidade.

Mais com menos

O Brasil ainda vive um momento de instabilidade econômica e com isso as prefeituras sofreram cortes em seus orçamentos. Por tanto, a palavra de ordem é inovar, através da criatividade para fazer mais pelos cidadãos com menos recursos financeiros nas cidades inteligentes.

Fernando Trincado, secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade de São Caetano do Sul, conta que parcerias foram necessárias para manter o município como destino para novos negócios. “As prefeituras não têm a velocidade da iniciativa privada e que o momento de inovação exige. Tentamos contornar com boa gestão, mas temos poucos recursos para inovar. Temos utilizado muito a criatividade, junto com o setor acadêmico para criar um ecossistema inovador e atraente para novos investidores e empresas na nossa cidade”, conta Trincado.

Para o prefeito de Vitória o conceito da cidade inteligente surgiu para inovar através da tecnologia para restar mais serviços com menos recursos. “A falta médica foi resolvida com o Confirma Vitoria, que serve para uma outra pessoa realizar uma consulta médica caso a primeira não confirme”, comenta.

A transformação digital também tem sido uma saída no atual momento financeiro da cidade de Jundiaí. “Criamos plataformas de gestão que estão associadas aos sistemas da cidade, para uma integralização. Hoje temos um aplicativo com mais de 140 serviços, no App Jundiaí”, diz o prefeito da cidade.

A tecnologia também ajudou o governo do Distrito Federal a economizar “Com inteligência artificial descobrirmos muitos aposentados fantasmas, e vamos colocar estes novos recursos na saúde e educação”, descreve o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Crescimento

Por último os políticos foram questionados sobre as suas perspectivas para a retomada do crescimento econômico brasileiro. Os prefeitos de Campinas e Vitória apontaram o sistema político como um agente imperativo no crescimento do País. “O Brasil precisa voltar a acreditar na política. Nenhum país superou os seus desafios fora da política. O Brasil precisa juntar as pessoas em cima de consensos”, diz Rezende. “Precisamos da participação popular, inclusão e fazer as coisas em conjunto com a população”, completa Donizette.

 

Já os secretários de São Caetano do Sul e Santos enfatizam a educação como o ponto de virada para a economia. “Precisamos melhorar a competitividade do setor privado e a capacidade da educação,” aponta Trincado. “Investir na educação com tecnologia e pesquisa, educação financeira, empreendedorismo, robótica, no momento atual do mundo e do Brasil”, opina Rogério Santos, secretário Municipal de Governo da cidade de Santos.

Alessi concluiu o evento ao falar da transformação necessária na mentalidade de quem atua no poder público. “A mudança de mindset é real nas empresas e é preciso transformar a gestão pública. Não podemos continuar fazendo as mesmas coisas. É preciso ter muita paixão pelo o que se faz.”

Debates na Câmara

O uso de tecnologia para se viver melhor, conforme define o deputado federal Francisco Júnior (PSD-GO), é o objetivo do processo de criação de cidades inteligentes. O parlamentar goiano é um dos relatores do tema no Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados (Cedes). Para Francisco Júnior, a cidade inteligente “busca reunir todas as condições para se viver melhor – usando, para isso, todas as tecnologias, focando na qualidade de vida da pessoa, para que ela possa viver, se locomover, trabalhar, usar a cidade de forma mais inteligente, aproveitando mais os recursos de forma sustentável”.

Um dos exemplos de sucesso citado é a cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, polo tecnológico no Nordeste, que caminha a passos largos para se tornar uma cidade inteligente. A coordenadora de pesquisas do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), Débora Albu, afirma que há muitas iniciativas nos níveis federal, estadual e municipal. Ela reconhece que o setor público contribui bastante, mas não o suficiente.

“Mas a gente também precisa do setor privado, da academia liderando esse processo, e também da sociedade civil, seja organizada ou não organizada. E, por fim, a gente precisa dos cidadãos. Uma das perguntas que apareceu lá é: ‘Quem faz a cidade inteligente?’ E quem faz somos todos nós”, disse.

Para o presidente da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), Ruben Delgado, o Brasil ainda se encontra na posição de consumidor de tecnologia, quando poderia ser produtor e exportador, gerando divisas para o país. Segundo ele, é necessário incentivar e aproveitar a inteligência brasileira.

“Precisamos atrair e reter talentos. Nós somos exportadores de cabeças para o mundo lá fora, temos vários jovens trabalhando nos Estados Unidos e em outros países. Temos que ter políticas públicas para pegar esse jovem, que é talentoso, que tem conhecimento técnico, para ficar no nosso país. E isso se faz através de políticas públicas.”

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Da redação da Prefeitos e Governantes com informações da empresa Google, Laguna e Inovações de Negócios

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