Vereadora Adriana Ramalho fala sobre cenário político e balanço

Por Diana Bueno

O caderno Especial Mulheres, da revista Prefeitos & Governantes conversou com a eleita vereadora de São Paulo, 29.756 votos, Adriana Ramalho. A parlamentar mantém um amplo diálogo com diversos setores da sociedade pela valorização da mulher, pelo apoio aos que mais precisam e por ações de inclusão e integração para todos.

Confira essas e outras informações na entrevista.

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Desde que você entrou para o cargo de vereadora o que você acredita ter mudado no cenário político?

Nos últimos anos a população brasileira tem se envolvido mais na política. Antes, tínhamos uma ideia de que certas coisas não se discutem, hoje vemos a maioria das pessoas engajadas em discussões políticas e trocando informações e opiniões, especialmente nas redes sociais. Infelizmente existem os excessos, como notícias falsas e episódios de intolerância, mas de uma forma geral é muito positivo ver nossa população mais informada e envolvida com as decisões políticas.

Pretende concorrer nas próximas eleições?

O tempo de pensar em eleição virá mais tarde, no momento estou preocupada em continuar trabalhando pelas pessoas e honrando o mandato que São Paulo me deu.

Está mais difícil a mulher concorrer a uma posição na gestão pública?

Ao contrário, temos visto um aumento constante de mulheres eleitas nas últimas eleições. A sociedade brasileira está cada vez mais consciente da importância de termos uma representatividade política mais próxima da presença feminina na população em geral, que hoje é cerca de 52%.

No seu mandato, qual é a sua preocupação de ênfase para mostrar ao seu eleitor que tinha valido a pena o voto na senhora?

Muito trabalho e transparência. Nós ouvimos muitas vezes a reclamação de que o político só aparece em época de eleições, mas também é verdade que parte da população só presta atenção no que os políticos fazem quando estamos no período eleitoral. Por isso eu presto contas das minhas ações todos os dias por meio das redes sociais, e presencialmente em reuniões nos bairros e sempre que alguma entidade ou liderança comunitária me convida para apresentar o mandato à população. As pessoas podem concordar ou discordar da minha atuação, mas com certeza podem ver que não me falta dedicação.

Muitas vereadoras pelo país ficam imaginando qual o projeto de lei novo que pode fazer a diferença. Por outro lado, muitos especialistas falam que no Brasil já há leis demais. Qual sua visão?

Acredito que o importante é a qualidade das leis, não a quantidade. Por isso, antes de apresentar um projeto, eu sempre procuro o diálogo com especialistas, entidades, conselhos representativos. Assim, nós construímos projetos para os idosos com participação de membros do Conselho Municipal do Idoso, para o combate à violência contra a mulher com membros do Grupo de Violência Doméstica do Ministério Público, para prevenção à alienação parental com diretoras da Associação de Direito de Família e Sucessões, entre outros.

Qual o conselho que daria a vereadoras de pequenos municípios para terem um mandato produtivo e apreciado pelo cidadão?

Eu estou presidente da Associação das Vereadoras do Estado de São Paulo (Avesp), um fórum de troca de experiências e fortalecimento dos mandatos femininos. Tenho visto na prática como a burocracia e a politicagem em alguns momentos são colocadas acima dos interesses da população. A vereadora e o vereador são os representantes mais próximos do cidadão, mas muitas vezes têm dificuldade em serem atendidos por uma autoridade estadual ou federal. Nós somos parlamentares eleitas e temos de ser ouvidas. Entidades como a Avesp são importantes para amplificar nossa voz.

Balanço

Qual é o balanço que você faz do seu mandato?

Apesar de ser meu primeiro mandato, consegui aprovar 29 leis, especialmente iniciativas de proteção e promoção da cidadania de crianças e adolescentes, mulheres e idosos, investimos em melhoria dos bairros e na valorização dos espaços de cultura, lazer e convivência, fazendo a cidade um pouco mais amigável aos seus moradores. Promovemos ações de promoção dos direitos das pessoas com deficiência, da segurança pública e de proteção ao patrimônio histórico da cidade. Chego a esse último ano com um sentimento de dever cumprido, e de que tentei fazer o meu melhor mesmo diante das dificuldades que ainda existem dentro do sistema.

Que projeto você considera a menina dos olhos?

Tenho três projetos que me orgulham muito. Instituí a Semana de Conscientização e Prevenção à Alienação Parental, criada pela Dra Katia Boulos, que leva informação sobre esse problema tão sério, que vitima crianças e adolescentes, e é pouco debatido. Transformei em política pública municipal o programa Tempo de Despertar, que é um projeto criado pela Dra Gabriela Manssur, do Ministério Público, que trabalha de forma multidisciplinar com agressores de mulheres, para que eles não voltem a cometer esse tipo de violência. Em Taboão da Serra, onde o projeto foi iniciado, a reincidência caiu de 65% para 2%. E o programa Ativa Idade, de qualificação e recolocação profissional para idosos, como já é feito nos Estados Unidos, Espanha e Japão.

Quais as principais dificuldades encontradas até o momento?

São Paulo é uma megalópole com muita desigualdade, e no atual cenário de crise econômica os recursos estão escassos. Então a maior dificuldade é não conseguir fazer tudo que é necessário.

Quais as principais prioridades agora em diante?

Acredito que a grande prioridade em São Paulo seja levar empregos para a periferia, pois isso melhora a qualidade de vida das pessoas, desenvolve os bairros e diminui a necessidade de grandes deslocamentos. Também ainda temos muito a avançar na acessibilidade da cidade, para dar maior autonomia às pessoas com deficiência, idosos e outras pessoas com necessidades especiais.

Educação

Falando em Educação, o que já foi feito de efetivo?

A gestão Doria/Covas chega ao seu último ano com a fila por vagas em creches no nível mais baixo desde 2007, é um grande avanço. Além disso, nós aprovamos na Câmara o projeto do prefeito Bruno Covas para pagar um auxílio às crianças sem vaga, para que possam estudar na rede particular.

Saúde

Quais foram as melhorias na área da saúde?

A situação da saúde municipal em São Paulo era lastimável. A gestão do prefeito Fernando Haddad interrompeu a compra de medicamentos em setembro de 2016. Quando o governador João Doria assumiu a Prefeitura, as unidades de saúde não tinham sequer os medicamentos mais básicos, como penicilina. Foi necessário muita criatividade e trabalho. Tivemos ações emergenciais, como o Corujão da Saúde e agora o Corujão do Câncer, para diminuir a fila de exames, além de uma reestruturação da rede e um financiamento internacional garantindo R$ 800 milhões de investimentos na saúde. Estamos longe do ideal, mas avançando na direção certa.

Segurança

Uma questão no dia a dia de muitas cidades é a questão da violência. O que foi realizado até agora para a melhoria?

Como presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal de São Paulo, procurei melhorar a iluminação de ruas e vielas, o que é importante especialmente para combater as violências contra a mulher. Tenho acompanhado de perto os esforços da Prefeitura e do Governo do Estado na integração das forças de segurança, participação da comunidade através da Vizinhança Solidária, e do investimento em equipamentos para as polícias e em tecnologias como o aplicativo SP+Segura e do programa City Câmeras. Os resultados estão visíveis na redução de quase todos os índices de criminalidade.

Finanças

E a questão financeira do município, como está atualmente?

Muito melhor, mas ainda difícil. Não é fácil equacionar a questão financeira em uma cidade como São Paulo, quando a gestão anterior deixou um déficit de R$ 7,5 bilhões, e durante uma crise econômica. As receitas diminuem e o desemprego leva as pessoas a precisarem mais dos serviços públicos, principalmente na saúde. O prefeito Bruno Covas tem feitos grandes esforços para equilibrar o orçamento municipal sem prejuízo dos serviços públicos, por meio de reformas administrativas, com diminuição de cargos, e um amplo programa de concessões e privatizações. Hoje a Prefeitura de São Paulo recuperou parte da sua capacidade de investimentos.

Essa é uma publicação original da Revista Prefeitos e Governantes

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