PM acompanha reintegração de posse em área de mata nativa em SP ocupada por indígenas

A Polícia Militar acompanha, na manhã desta terça-feira (10), a reintegração de posse de área próxima à comunidade guarani Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo. Os Indígenas da etnia Guarani Mbya ocupam o terreno desde último dia 30 de janeiro.

A construtora Tenda pretende construir 11 torres com 880 unidades de apartamentos no local. Os indígenas querem que a área seja destinada à criação de um parque ecológico e um Memorial da Cultura Guarani e ocuparam o espaço para para impedir a derrubada de árvores da mata nativa.

“Sem natureza não tem vida. Não dá para negociar terra. O Juruá [termo usado pelos guaranis para denominar o não indígena] tem que parar com essa ganância. Até quando a gente vai sofrer isso? Tentam tirar nosso território, tentam tirar nosso direito, tentam matar a vida”, afirma Thiago Karai Djekupe, da liderança indígena.

Ele orientou as crianças saírem da área e disse que os demais irão resistir e ficarão no local.

“Vamos ficar aqui, vamos rezar. Vou pedir para quem queira sair, as crianças principalmente, saírem. Porque a polícia não está com identificação. Mesmo eles falando que não querem fazer a reintegração de posse, mesmo eles falando que não estão contra a gente, eles vieram sem identificação alguma. E se vieram sem identificação, é porque não vieram de boa-fé. Nós somos guardiões da floresta. Peço que entendam o quanto é sagrado para nós essa terra. Não dá para simplesmente uma juíza decretar a morte de um povo”, afirmou. O G1 questionou a Secretaria da Segurança Pública sobre a falta de identificação dos policiais e aguarda retorno.

“Nós tombamos com ela. Se quiserem nos tirar, vão ter de nos derrubar, mas estamos aqui de forma pacífica, só vamos ficar no corpo da árvore. Essa luta é pela mãe Terra, para defender ela. Ninguém pode ser omisso nessa luta. Depois não adianta reclamar da poluição, do clima, das enchentes. A hora de defender o meio ambiente é agora”, disse Thiago, após subir na árvore.

Uma representante da OAB também está no local e exigiu do comandante da Polícia que os policiais coloquem as identificações.

“A ideia não é causar nenhum tipo de problema e nem agir no anonimato, pelo contrário, temos de dar toda a publicidade aos nossos atos e jamais agir no anonimato. Não vi, mas se tinha policial sem identificação, não tem mais, pedi a todos que ficassem com a identificação e agora estão todos, como você pode conferir”, afirmou o coronel Alexandre Bento, responsável pela operação.

Os vereadores Eduardo Suplicy (PT) e Gilberto Natalini (PV) também acompanham a reintegração. “A nossa cidade não pode mais derrubar nenhuma árvore, precisa preservar a Mata. É questão de sobrevivência. Tem muita área em São Paulo apropriada para construção, não precisa ser em áreas de Mata, muito menos de manancial. Eu responsabilizo a Prefeitura pela omissão em todo o processo”, afirmou o vereador Gilberto Natalini (PV). “Os índios têm razão, os ambientalistas tem razão, a Justiça está cega e insensível”, completou o vereador.

Na quarta-feira (4), terminou sem acordo uma audiência de conciliação entre as partes, ocorrida na 14 Vara Federal. A Tenda se comprometeu a apresentar o projeto a ser realizado no terreno.

Em fevereiro, a Justiça Federal impediu a Construtora Tenda S.A de cortar árvores. A liminar determinando a suspensão de atividades acatou pedido do Ministério Público Federal. Na decisão, publicada na terça (11), a juíza Tatiana Pattaro Pereira afirma que a construtora não apresentou o alvará de execução de edificação nova, requisito necessário para o manejo.

Em nota, a Construtora afirma que recorreu da decisão da Justiça Federal. No texto, a empresa diz ter os documentos necessários de legalização do empreendimento “incluindo autorização para o manejo arbóreo, que prevê a supressão de 528 árvores, o replantio de outras 549 no local e a doação de 1.099 mudas para o município.” A Tenda ainda alega que o projeto prevê preservação de 50% da área.

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