Unesp completa 50 anos nesta sexta (30) como 2ª maior do país em volume de pesquisas e 3ª em número de cursos

Crédito: Campus de Botucatu da Unesp: reconhecimento à busca pela excelência no ensino, na pesquisa e na extensão foi atestado pelos mais tradicionais rankings universitários internacionais Foto: Divulgação Agência SP

Universidade atinge desempenho inédito em rankings internacionais, com 76% dos programas de pós-graduação avaliados como de excelência e com investimento vultoso em políticas de permanência

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) completa 50 anos nesta sexta-feira (30), com a marca da expansão para todas as regiões do estado. Hoje mantém 34 unidades, distribuídas por 24 cidades paulistas, com cerca de 3 mil professores e 5 mil servidores ativos. São aproximadamente 53 mil alunos, do ensino médio, nos colégios técnicos, na graduação e na pós-graduação. A Unesp é ainda a terceira universidade do país em volume de cursos oferecidos na graduação: são 136, com 186 opções de entrada.

Nos últimos cinco anos, mais de 45 mil alunos se formaram na Instituição, que tem avaliação de excelência na maior parte dos cursos. Das 45 graduações contempladas no Enade de 2023, por exemplo, 86,7% receberam as pontuações mais altas, conceitos 4 ou 5. 

Instalação do laboratório de aeronáutica, em São João da Boa Vista

Na pós-graduação, são 141 opções de cursos stricto sensu, que acabam de receber a avaliação mais positiva da história da Universidade. No resultado preliminar, divulgado agora em janeiro pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 76% dos cursos de pós-graduação da Unesp foram avaliados como de excelência, ou seja, com notas 5, 6 e 7. Houve um crescimento, em relação à última avaliação, de 42% dos programas com notas 6 e 7. Nestes 50 anos, mais de 75 mil alunos saíram mestres e doutores pela Unesp.

A instituição foi criada pela Lei Estadual nº 952, em 1976, com a missão de formar profissionais no interior paulista a partir da reunião de institutos isolados de ensino superior. A partir de 1988, o corpo diretivo passou a ser eleito pela comunidade, após grande mobilização interna. E, em 2025, elegeu sua primeira mulher reitora, a professora Maysa Furlan, com mandato até janeiro de 2029.

A Unesp consolida-se também como a segunda maior universidade do país em volume de pesquisas. Só em 2024 foram publicados por docentes e discentes unespianos 11.836 artigos científicos. Hoje, o programa de iniciação científica da Instituição, que fomenta o desenvolvimento da pesquisa por alunos de graduação, é o terceiro maior do país. E 77 pesquisadores da Unesp figuram entre os mais influentes do mundo, segundo a Elsevier, uma das principais empresas globais na análise de publicações científicas.

Estudantes no laboratório de física do campus de Rio Claro

A reitora da Unesp, professora Maysa Furlan, destaca a consolidação da Instituição. “A Unesp chega à maturidade no seu melhor momento. De uns anos para cá, a Universidade passou a desempenhar uma intensa atividade em projetos em redes, interdisciplinares e transversais em todas as áreas. Hoje nós temos um crescimento no número de projetos temáticos, passamos a ter uma inserção muito grande nos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e nos projetos apoiados pela Finep. Aprovamos quase R$ 30 milhões em projetos nos últimos cinco anos. Esse é o sinal de que a Instituição está forte. E é uma força que vem congregada com toda a comunidade”, diz a reitora.

A Universidade aloca hoje quatro Centros de Pesquisa, três Centros de Ciência para o Desenvolvimento, três Institutos Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCT), além do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) CBioClima, com foco em biodiversidade e mudanças climáticas. Todos são financiados pelas principais agências de fomento à pesquisa no país. 

Ajudam a compor a Unesp três fundações: a Fundação Editora Unesp, com 3.800 títulos publicados em 39 anos; a Vunesp, cujas atribuições incluem o vestibular da Instituição, e a Fundunesp, responsável pelo apoio no desenvolvimento de projetos. A estrutura da Unesp conta também com três colégios técnicos, nove unidades complementares, cinco centros de atendimento odontológico, cinco fazendas de ensino e pesquisa, 33 bibliotecas, três hospitais universitários e uma emissora de rádio e outra de TV.

Em 2014, um marco importante: a Unesp foi a primeira universidade pública paulista a adotar no vestibular a reserva de vagas para alunos de escolas públicas. O Sistema de Reserva de Vagas para a Educação Básica Pública (SRVEBP), aprovado em 2013, destina 50% das vagas de cada curso de graduação da Unesp para alunos que tenham feito todo o ensino médio em escola pública, sendo que 35% destas vagas são destinadas a pessoas que se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas. 

As formas de ingresso na Universidade foram ampliadas para facilitar o acesso: vagas diretamente pelo Enem, Provão Paulista e Olimpíadas Científicas. Essas três modalidades, além do vestibular tradicional, mobilizaram 214.696 inscrições no Vestibular 2026. E, a partir de 2027, haverá reserva para pessoas com deficiência.  O impacto dessas ações é visível: os estudantes do ensino público representam 55% das matrículas na Unesp. 

Para ajudar os alunos que chegam em condições econômicas desfavoráveis, a Universidade desenvolve uma robusta política de permanência, que inclui a concessão de subsídios à alimentação, ao aluguel, moradias estudantis, além de dez restaurantes universitários. O valor aprovado no orçamento de 2026 para o Programa de Permanência Estudantil é recorde, de R$ 110,7 milhões.

Alunos no restaurante universitário do campus de Ilha Solteira

Rankings

O reconhecimento à busca pela excelência no ensino, na pesquisa e na extensão foi atestado pelos mais tradicionais rankings universitários internacionais. Em 2025, a Unesp alcançou sua melhor colocação em dois deles, figurando na sexta posição da América Latina no QS World University Rankings e na terceira colocação entre as universidades brasileiras no THE World University Rankings. 

Para o vice-reitor, professor Cesar Martins, a Universidade está preparada para responder às demandas contemporâneas. “Esses 50 anos mostram uma Universidade madura, que deve errar menos e acertar mais. Nesse momento, fazemos uma reflexão em nossos colegiados sobre os nossos cursos de graduação e pós para entendermos esse novo cenário que é permeado pela tecnologia, pela inteligência artificial. A Unesp é uma massa de recursos humanos crítica e muito antenada, graças à nossa geografia, para atender as peculiaridades da sociedade.”, afirma.

Fonte: Agência SP

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