PREFEITURA DO RECIFE | Sítio Trindade recebe 18ª Exposição Culinária Afro-brasileira amanhã (17)

Crédito: Com o tema “Tem Dedê na mesa”, exposição que celebra o sagrado de matriz africana relacionado ao ciclo junino servirá seis mil itens para degustação, como acarajé, vatapá, canjica e tapioca ensopada ao leite. (Foto: Wagner Ramos/PCR)

Festa farta de sentidos, simbologias e santos, o ciclo junino do Recife celebrará o sagrado de matriz africana, nesta quarta-feira (17), na 18ª edição da Exposição Culinária Afro-brasileira. A programação, realizada pelo Terreiro ILÉ ÀṢẸ ẸGBẸ́ AWO, terá início às 18h, no Sítio Trindade, reunindo 10 expositores, além de músicos, sacerdotes e sacerdotisas de matriz africana, para festejar a culinária tradicional de terreiro e do ciclo junino com devoção a  SÀNGÓ.

Com apoio da Prefeitura do Recife, a exposição é coordenada pela sacerdotisa e produtora cultural Mãe Elza de Yemojá e oferece mais de seis mil itens para degustação do público. A programação começa musical, com sirè para as divindades Òrìṣà, Nkise e Vodun, das tradições fincadas Nàgó, Ketu, Angola e Jeje. Após o término dos cânticos a Ẹ̀ṢÙ, terá início a degustação de preparos e pratos, distribuídos gratuitamente pelos expositores.

A edição de 2026 destaca a importância do azeite de dendê na gastronomia africana que desembarcou em terras brasileiras e, sobretudo, nordestinas e no ciclo junino. A iguaria trata-se de um legado dos povos da África Ocidental que chegou ao Brasil junto com os africanos escravizados  e representa, mais do que ingrediente, a ancestralidade, resistência e contribuição  para a formação da cultura brasileira, tornando-se parte de identidade alimentar do Brasil, preservando memórias, saberes e tradições em pratos como caruru, moqueca, acarajé e abará. 

Segundo mãe Elza de Yemojá, produtora do evento, a mosta promove um diálogo fraterno entre dois credos que celebram em junho grandes festejos regados a  comida, música e dança. “A Segurança Alimentar e Nutricional sempre foi tema primordial para as religiões de  matrizes afro-brasileiras. A busca por  garantia do direito da população ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade tem sido uma máxima para nosso povo. Com o tema ‘Tem Dedê na mesa’, a Exposição Culinária Afro-Brasileira no ciclo junino visa expor saberes ancestrais de nossas famílias”, pontua Elza. 

No local, a exposição trará 6.000 itens para degustação, simbólicos tanto no São João, quanto nos Terreiros. No total, 10 expositores(as), em sua maioria sacerdotes e sacerdotisas de Matriz Africana serão responsáveis pelo preparo dos alimentos. A degustação é gratuita, e, entre os quitutes haverá farofa de dendê acarajé, vatapá, latapá, canjica, peixada e tapioca ensopada ao leite, entre outros.

“Além da fundamental importância na manutenção das tradições culturais, as comidas litúrgicas no candomblé também funcionam como formas de integração entre homens e deuses e entre os homens e seus iguais, servindo como elo de socialização para as comunidades e também como conexão entre a natureza e seus mistérios, sua energia e os seres intangíveis: uma emanação do axé! Nos terreiros, tudo come. E não tem festa no candomblé sem comida. Comer é uma grande celebração”, explica a pesquisadora Carmem Lélis, da Prefeitura do Recife.

Carmem explica que os festejos juninos remetem a rituais pagãos da Europa pré-cristã e tinham relação com o fogo e a fertilidade. Mais tarde, o dia 24 de junho passou a ser significativo para os católicos, pois é quando se comemora o nascimento de São João Batista, o santo que batizou Jesus Cristo. Depois também a data passou a ser muito importante para as religiões afro-brasileiras, já que é dedicada a Xangô, o orixá da justiça. Tanto São João quanto Xangô são homenageados através de um símbolo tradicional das festas juninas: a fogueira.

Serviço

18ª edição da Exposição Culinária Afro-brasileira

Data: 17 de junho

Horário: 18h

Local: Sítio Trindade, na Estrada do Arraial, Casa Amarela

Entrada franca


PROGRAMAÇÃO

18h30h – CELEBRAÇÃO ANCESTRAL e INÍCIO DO ṢIRÈ
Àdúrà (reza), Orin(cânticos) Òrìsà, Vodun, Nkise
Cânticos à Divindade ÈṢÙ

19h – Início da Degustação – Continuação do ṢIRÈ (cânticos) – Grande Roda

21h – Entrega do Prêmio – ÌYÁBÀSÉ 2026

21h30 – Cortejo do OSE e cânticos à divindade SÀNGÓ – Todos dançam celebrando o Elemento Sagrado do Rei-Fogo

Fonte: Prefeitura do Recife PE Secretaria de Cultura

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