O Caminho do Dinheiro Pós-Tragédia: Erros no Sistema da Defesa Civil (S2iD) Estão Travando o Repasse Federal para Cidades Atingidas

Crédito: Banco de Imagens

As chuvas de verão destruíram pontes e estradas, mas o socorro do Governo Federal esbarra na burocracia; prefeituras que cometem erros básicos no preenchimento do FIDE perdem milhões em recursos para reconstrução.

Fevereiro de 2026 tem sido implacável. As fortes chuvas de verão deixaram um rastro de destruição em diversas regiões do Brasil: telhados arrancados, pontes vicinais levadas pela correnteza, estradas rurais bloqueadas e famílias desabrigadas. A resposta natural do gestor municipal é decretar Situação de Emergência (SE) ou Estado de Calamidade Pública (ECP) e pedir socorro ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

O problema é que o Governo Federal tem o recurso, mas a torneira só abre se a chave digital for girada corretamente. E essa chave chama-se S2iD (Sistema Integrado de Informações sobre Desastres).

Atualmente, centenas de prefeituras estão com seus processos paralisados, devolvidos ou negados pela Defesa Civil Nacional não por falta de gravidade da tragédia, mas por erros primários de preenchimento.

Onde as Prefeituras Estão Errando?

O coração do pedido de verba é o FIDE (Formulário de Informações do Desastre). Preenchê-lo exige rigor técnico de engenharia e contabilidade, mas muitas vezes a tarefa é delegada a um servidor sem o treinamento adequado.

Os três erros fatais que travam o dinheiro da sua cidade são:

Perda do Prazo de Ouro: A prefeitura tem prazos rígidos a partir da ocorrência do desastre para registrar o evento no S2iD e enviar a documentação. Perdeu o prazo? O sistema bloqueia e o Governo Federal entende que o município tem capacidade de resolver sozinho.

Danos “Genéricos” e Sem Provas: Escrever “A chuva destruiu a ponte do bairro” não serve. O analista em Brasília precisa ler: “Colapso total de ponte de concreto armado de 15 metros na Estrada Vicinal KM 4, isolando 50 famílias produtores de leite”. E o mais importante: faltam fotos com georreferenciamento (coordenadas GPS na imagem) que provem o antes e o depois.

Inconsistência entre o Decreto e o Formulário: O Prefeito assina um decreto falando de “Inundações”, mas o servidor preenche o S2iD com o código (COBRADE) de “Enxurradas”. Essa divergência técnica derruba o processo instantaneamente.

Força-Tarefa: A Engenharia da Reconstrução

Para o Prefeito, a lição de 2026 é clara: a Defesa Civil Municipal não pode ser um cargo figurativo. Ela precisa ser o setor mais técnico da prefeitura durante o verão.

A recomendação urgente é montar um Comitê de Crise Burocrática. Enquanto as máquinas limpam as ruas, uma equipe formada por um Engenheiro (para quantificar o dano material e estimar o custo da reconstrução), uma Assistente Social (para quantificar os desabrigados de forma nominal) e o Procurador do Município (para redigir o decreto perfeitamente) deve atuar em conjunto no S2iD.

Além disso, o município precisa apresentar um Plano de Trabalho detalhado. O Governo Federal repassa verbas para duas frentes distintas: Resposta (comprar cestas básicas, colchões, alugar máquinas) e Reconstrução (refazer a ponte, o asfalto, o posto de saúde). Misturar os pedidos é garantia de reprovação.

A dor de ver a cidade destruída é imensa, mas a frustração de não conseguir a verba federal por um erro de digitação é imperdoável politicamente. Gestão de desastres se faz com agilidade na rua e precisão cirúrgica no papel.

Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR)

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