Crédito: Banco de Imagens
Com a curva de contágio acelerando em fevereiro, Governo Federal autoriza ampliação do público-alvo ou redistribuição de doses; prefeituras devem abrir postos aos sábados para blindar a população antes da explosão de casos.
O alerta vermelho soou em Brasília nesta semana. Diante da previsão de um março epidêmico, o Ministério da Saúde (MS) flexibilizou a vacinação contra a Dengue para novos grupos. Agora, a missão do Secretário de Saúde é uma só: esvaziar a geladeira de vacinas e encher o braço da população.
Estamos em 10 de fevereiro de 2026. As chuvas de verão, combinadas com o calor recorde, criaram o cenário perfeito para a proliferação do Aedes aegypti. Os dados epidemiológicos são claros: a curva de casos começa a subir agora e atinge seu pico histórico em março e abril.
Para tentar frear a hospitalização em massa, o Ministério da Saúde emitiu nesta semana novas notas técnicas orientando a ampliação da faixa etária ou a redistribuição de doses para municípios com baixa cobertura (a depender do estoque de cada estado). A estratégia mudou: não se pode mais guardar vacina para depois. A imunização precisa acontecer agora para que os anticorpos estejam ativos quando o surto vier com força total.
A Estratégia do “Dia D” Municipal
Não adianta ter a vacina se o posto de saúde fecha às 17h, horário em que pais e trabalhadores estão ocupados. A recomendação do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) é a realização imediata de Dias D (sábados de vacinação) e horários estendidos (Corujão da Saúde).
Como mostra o gráfico sazonal acima, o tempo urge. Quem se vacina em fevereiro, estará protegido no auge da transmissão. Quem deixar para março, já corre o risco de pegar a doença antes da imunidade completa.
Integração: Vacina + Limpeza
O Prefeito não pode apostar todas as fichas apenas na vacina. A imunização protege contra casos graves e óbitos, mas não impede a circulação do vírus. A operação de guerra deve ser casada:
Vacinação nas Escolas: Aproveite o início do ano letivo. Levar a equipe de saúde para dentro da escola é a forma mais eficaz de atingir o público infanto-juvenil (alvo prioritário).
Mutirão de Limpeza: Caminhões de coleta de entulho e equipes de endemias visitando casas para eliminar criadouros.
Fumacê Estratégico: Uso racional do carro-fumacê nos bairros com maior índice de notificação.
O Risco do Desperdício
Há um componente administrativo crucial: vacina da Dengue tem validade curta e alto custo. Municípios que apresentarem baixa adesão nos sistemas de informação do SUS (SI-PNI) correm o risco de perderem as próximas remessas para cidades vizinhas que estão vacinando mais rápido.
Para o gestor, devolver vacina vencida ou perder doses por incompetência logística é um atestado de má gestão que a oposição política — e o Ministério Público — não perdoarão. A ordem é vacinar a todo custo.
Fonte: Ministério da Saúde (MS) – Notas Técnicas de Imunização 2026.
