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A Lei Eleitoral proíbe candidatos de participarem de inaugurações a partir de 4 de julho. Saiba como planejar o calendário de entregas da prefeitura para evitar crime eleitoral e a cassação da sua chapa em 2026.
Na política municipal, o corte de fita de uma obra pública é o troféu máximo de um gestor. É a materialização de meses de planejamento, licitações travadas e noites mal dormidas. No entanto, o ano eleitoral possui regras draconianas que transformam esse momento de glória em um verdadeiro campo minado jurídico.
A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), em seu Artigo 77, é cirúrgica e inflexível: é proibido a qualquer candidato comparecer a inaugurações de obras públicas nos três meses que precedem o pleito. Em 2026, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, essa guilhotina desce exatamente no dia 4 de julho.
Se o Prefeito (candidato à reeleição) ou o seu sucessor apoiado (caso também ocupe cargo público e seja candidato) for flagrado em um evento de inauguração a partir dessa data, a punição não é uma simples multa. É a cassação do registro de candidatura ou do diploma.
O Que Fazer com as Obras que Ficam Prontas em Agosto?
A grande aflição nos gabinetes hoje é o atraso natural da construção civil. Choveu demais em janeiro, a empreiteira atrasou a entrega do cimento em fevereiro, e aquela creche que deveria ser inaugurada em junho só ficará pronta no meio de agosto. O que o gestor faz? Deixa a creche fechada com cadeado até a eleição passar?
A resposta é não. A lei proíbe o evento de inauguração com a presença do candidato, mas não proíbe que a obra seja entregue à população. A estratégia inteligente das prefeituras bem assessoradas é o Soft Opening (abertura branca).
A Regra Prática: A creche ficou pronta em 15 de agosto? Tire os tapumes, coloque as professoras para dentro, abra os portões e receba as crianças. Deixe a obra funcionar. O que você não pode fazer é montar palco, colocar caixa de som, convidar autoridades, descerrar placa com seu nome ou fazer discurso.
O Silêncio Institucional: Lembre-se também de que, a partir de julho, a publicidade institucional da prefeitura é congelada. Os canais oficiais do município não podem fazer postagens celebrando a nova obra. O marketing passa a ser puramente orgânico: o eleitor usa o posto de saúde novo e espalha a notícia no boca a boca.
O Perigo da “Inauguração Maquiada”
Com o desespero para não perder a data de 4 de julho, muitos prefeitos cometem o pior erro de comunicação política possível: a inauguração maquiada.
É aquele caso clássico em que o Prefeito inaugura a UPA no dia 30 de junho com festa, bolo e fogos de artifício, mas no dia 1º de julho a unidade amanhece fechada porque não tem macas, não tem médicos contratados ou a fiação elétrica não foi terminada.
Em 2026, com todo cidadão segurando um smartphone com câmera, a inauguração de obra inacabada é um tiro no pé letal. A oposição vai filmar a porta trancada, o vídeo vai viralizar no WhatsApp da cidade inteira e o ganho político da obra vira pó, transformando-se em motivo de chacota e indignação.
Planejamento de Guerra a Partir de Hoje
O mês de abril começa amanhã. O Prefeito, o Secretário de Obras e a equipe de Comunicação têm exatamente três meses para definir o calendário final da gestão.
Faça uma reunião de emergência com as empreiteiras: o que é possível terminar com 100% de funcionalidade até o final de junho? Essas serão as suas inaugurações oficiais. O que vai passar de julho? Planeje a “abertura branca” para que o povo use o serviço sem firulas.
Em ano eleitoral, a vaidade do palanque não pode ser maior que a segurança jurídica da sua chapa. A melhor inauguração a partir de julho é aquela feita em silêncio, onde a obra fala por si mesma.
Fonte: Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997): Artigo 77 (proibição de comparecimento a inaugurações) e Artigo 73 (condutas vedadas aos agentes públicos).

