Crédito: Gov.br
Cortando grandes fornecedores e atravessadores, gestores garantem comida fresca nas escolas e injetam milhões diretamente na conta do agricultor familiar do próprio município.
Por muitos anos, a frustração de Seu Benedito, um pequeno produtor de hortaliças assentado a vinte quilômetros do centro da cidade, tinha o mesmo calendário da colheita. Quando a safra do tomate e da alface era boa demais, o preço despencava no mercado atacadista. Sem logística para transportar seus produtos para outras cidades e sem conseguir competir com os grandes distribuidores, ele via, com lágrimas nos olhos, caixas e caixas de alimentos perfeitos apodrecerem na roça ou serem dados aos porcos.
Ironicamente, enquanto a comida fresca estragava na zona rural, a poucos quilômetros dali, na Escola Municipal do centro, o pequeno Marcos, de sete anos, torcia o nariz para o prato do almoço. A merenda daquele dia era macarrão com salsicha enlatada e suco artificial de caixinha. A comida era comprada de uma megaempresa de outro estado, que vencia licitações baseadas exclusivamente no menor preço, entregando alimentos ultraprocessados, pobres em nutrientes e sem nenhum sabor caseiro.
Esse abismo entre o campo que produz e a escola que alimenta foi, durante décadas, o padrão da administração pública brasileira. A prefeitura gastava fortunas pagando empresas de fora, o dinheiro sumia do município, as crianças comiam mal e o agricultor local continuava na miséria.
Hoje, porém, no cenário de gestão acelerada e focada em resultados de 2026, prefeitos visionários decidiram romper essa engrenagem. Eles descobriram que a solução para a qualidade da educação e para a geração de renda no campo estava na mesma panela. A estratégia atende por um nome técnico, mas de impacto revolucionário: a Chamada Pública para a Agricultura Familiar.
A quebra do monopólio dos atravessadores
A legislação federal do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) já estabelece que, no mínimo, 30% do valor repassado pelo Governo Federal para a merenda deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar. O problema é que muitas prefeituras encaravam essa cota como um estorvo burocrático. A desculpa nos gabinetes era sempre a mesma: “O pequeno produtor não tem nota fiscal, não consegue entregar no prazo e é difícil de regularizar”.
O “choque de gestão” das prefeituras modernas inverteu essa lógica. Em vez de exigir que o sitiante simples virasse um especialista em licitações complexas, a Secretaria de Agricultura e a de Educação se uniram para desburocratizar o lado do município.
As prefeituras passaram a criar “Chamadas Públicas” extremamente simplificadas. Equipes da gestão vão até os assentamentos e cooperativas para ajudar o agricultor a tirar a Declaração de Aptidão (DAP ou CAF). O município mapeia o que o homem do campo sabe plantar (mandioca, cenoura, frutas da estação, leite) e a nutricionista da escola adapta o cardápio das crianças à sazonalidade daquela colheita local.
Não há mais concorrência predatória com grandes atacadistas. A prefeitura tabela um preço justo e compra tudo o que o Seu Benedito conseguir produzir.
O grande trunfo tático: o dinheiro que não foge
Do ponto de vista econômico, cortar o atravessador externo e comprar a merenda dentro de casa é uma das manobras mais inteligentes que um Secretário de Finanças pode realizar.
Quando a prefeitura compra um milhão de reais em biscoitos e enlatados de uma grande indústria de São Paulo, esse milhão evapora da cidade no mesmo dia. Quando a prefeitura usa esse mesmo milhão para comprar frutas, verduras, ovos e queijo dos pequenos produtores da zona rural, a mágica da economia circular acontece.
O Seu Benedito recebe o dinheiro da prefeitura e vai até a loja de material de construção do centro comprar arame e cimento. Ele passa na farmácia do bairro para comprar remédios, no posto de combustível para encher o tanque da caminhonete e no mercado da praça para comprar roupas para os netos. O dinheiro da merenda fica na cidade, roda no comércio local, gera empregos urbanos e volta para a própria prefeitura na forma de impostos (ISS e ICMS). É uma injeção na veia da economia do município.
A vitrine emocional e a saúde na escola
Para o gestor público que está montando o seu legado visando a aprovação popular antes da eleição, essa mudança na nutrição escolar gera um capital político indestrutível.
A saúde das crianças melhora drasticamente. Os índices de obesidade infantil e déficit de atenção, frequentemente ligados ao consumo excessivo de açúcar e conservantes na escola, começam a cair. E o impacto na comunidade escolar é imediato. Quando as cozinheiras das escolas, que são grandes formadoras de opinião nos bairros, começam a preparar refeições com temperos frescos, carne de verdade e hortaliças que chegaram na mesma manhã da roça, a notícia se espalha.
Os pais sentem a diferença na disposição dos filhos e na qualidade do que é servido. A escola pública perde o estigma de lugar de escassez e passa a ser sinônimo de acolhimento e saúde.
O voto de gratidão do homem do campo
Ao mesmo tempo, na zona rural, a prefeitura consolida uma base de apoio leal e inabalável. O agricultor familiar é um trabalhador que vive à mercê do clima e da instabilidade dos preços. Quando a prefeitura se torna a sua compradora garantida, com contratos assinados e pagamentos em dia, ela tira esse produtor do mapa da fome e da incerteza.
O agricultor passa a investir na sua terra, compra um trator novo, melhora a estufa e, o mais importante, não precisa mandar seus filhos para tentar a sorte grande e perigosa nas metrópoles. Ele fixa a família no campo com dignidade.
Transformar a merenda escolar não é apenas alimentar crianças; é uma escolha de quem o prefeito quer enriquecer com o dinheiro público. Ao escolher o agricultor da própria cidade, a gestão mata a fome nas salas de aula, movimenta o caixa do comércio e planta uma semente de lealdade política que nenhuma oposição consegue arrancar.
Fonte: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)


