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Veja como as prefeituras estão criando protocolos municipais entre Educação e Saúde para combater a ansiedade e depressão infantil nas escolas.
O aumento expressivo de casos de ansiedade, depressão, automutilação e crises de pânico entre crianças e adolescentes após os impactos sociais da pandemia tornou-se uma das maiores emergências silenciosas da gestão pública brasileira. O ambiente escolar é frequentemente o primeiro local onde os sintomas de sofrimento psíquico se manifestam — seja por meio da queda repentina no rendimento escolar, isolamento social, alteração de comportamento ou faltas recorrentes. Para responder a esse desafio de forma estruturada e humanizada, prefeituras de todo o país estão estabelecendo Protocolos Intersetoriais de Saúde Mental nas Escolas.
Unindo as redes da Educação e da Saúde (SUS), essa estratégia rompe a atuação isolada e constrói uma linha de cuidado contínua para proteger a infância e a juventude no município.
O respaldo legal e a regulamentação da Lei nº 13.935/2019
A construção de uma política pública de saúde mental no ambiente escolar ganhou sustentação definitiva com a aprovação da Lei Federal nº 13.935/2019, que determinou a obrigatoriedade de prestação de serviços de Psicologia e Serviço Social nas redes públicas de educação básica.
A aplicação eficiente dessa legislação na esfera municipal envolve a estruturação de equipes multidisciplinares fixas ou itinerantes que atuam diretamente na comunidade escolar:
Atuação Preventiva e Não Clínica na Escola: O papel do psicólogo e do assistente social escolar não é realizar psicoterapia individual dentro da sala de aula, mas sim atuar na mediação de conflitos, combate ao bullying, orientação a educadores e fortalecimento do clima escolar.
Fortalecimento do Vínculo Familiar: Mapeamento de vulnerabilidades socioeconômicas ou familiares que possam estar desencadeando o sofrimento emocional da criança, acionando a rede socioassistencial (CRAS e CREAS).
Financiamento via Fundeb e Saúde: Utilização de recursos da dotação orçamentária da Educação e da Atenção Primária para custeio e capacitação contínua das equipes.
Fluxo de Atendimento e Articulação com a Rede SUS (CAPS Infantil e UBSs)
Para evitar sobrecarregar os professores e garantir que casos graves recebam atendimento médico especializado a tempo, os protocolos municipais organizam o fluxo de encaminhamento em três níveis de atenção:
Nível Nível 1: Identificação e Acolhimento na Escola: Professores e agentes pedagógicos treinados identificam sinais de alerta (alterações bruscas de humor, choro frequente, somatização física como dores abdominais e de cabeça) e realizam a escuta qualificada inicial.
Nível 2: Avaliação da Equipe Multidisciplinar Escolar: Psicólogos e assistentes sociais da rede de ensino avaliam o caso junto à família e elaboram um plano de apoio socioemocional no ambiente escolar.
Nível 3: Encaminhamento Prioritário na Rede de Saúde: Havendo necessidade de intervenção terapêutica ou psiquiátrica, a criança é encaminhada via fluxo prioritário para a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência ou para o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), sem ficar esquecida em filas gerais de regulação.
Capacitação de Docentes e Letramento Emocional
O sucesso da política municipal de saúde mental depende do preparo dos profissionais que lidam diariamente com os alunos. Por isso, programas municipais inovadores incluem:
Formação Continuada sobre Saúde Mental Infantil: Oficinas periódicas para professores e diretores sobre neurodesenvolvimento, gestão de crises emocionais em sala de aula e prevenção da automutilação.
Cuidado com a Saúde Mental do Próprio Educador: Ações voltadas ao combate à Síndrome de Burnout e ao estresse crônico dos professores, garantindo que quem cuida também receba suporte psicológico do município.
Projetos de Competências Socioemocionais: Atividades lúdicas integradas ao currículo escolar que ensinam os estudantes a reconhecer, nomear e expressar suas emoções de forma saudável.
Recomendações para prefeitos e secretários
Para institucionalizar o protocolo de saúde mental nas escolas como uma política permanente e segura no município, orienta-se:
Publicação de Portaria Conjunta: Emitir ato normativo assinado pelas Secretarias de Educação e de Saúde definindo formalmente as atribuições e prazos de cada setor no fluxo de atendimento.
Criação da Comissão Municipal de Saúde Mental Escolar: Instituir um grupo de trabalho com representantes da Educação, Saúde, Assistência Social e Conselho Tutelar para monitorar indicadores de violência e adoecimento psíquico na rede.
Envolvimento da Comunidade e Famílias: Promover encontros comunitários e “rodas de conversa” com pais e responsáveis para desmistificar o tabu em torno do tratamento psicológico e psiquiátrico na infância.
A implementação de protocolos municipais de saúde mental nas escolas demonstra que cuidar do futuro da cidade exige enxergar o estudante em sua totalidade, unindo aprendizado pedagógico, acolhimento emocional e proteção social.
Da Redação

