Crédito: Fotos de: Ciete Silvério
Equipamento da Prefeitura reúne 145 espécies de sementes distribuídas gratuitamente para incentivar o cultivo de alimentos entre moradores e pequenos agricultores de Parelheiros
Em uma área verde de Parelheiros, no extremo sul da capital, funciona a Biblioteca Municipal de Sementes, espaço dedicado à preservação e à distribuição de sementes de legumes, frutas e verduras para pequenos agricultores e moradores da região. A iniciativa da Prefeitura de São Paulo incentiva o cultivo de alimentos para consumo próprio, hortas comunitárias, troca entre vizinhos e parentes ou até mesmo a comercialização.
Inaugurada em abril de 2024, a biblioteca surgiu para atender a uma demanda de moradores e agricultores de Parelheiros e Marsilac, que tinham dificuldade para encontrar sementes orgânicas na região. Com um banco de germoplasma (material genético), o equipamento contribui para a preservação das sementes e incentiva um ciclo de compartilhamento: os agricultores retiram os grãos, cultivam os alimentos, reservam parte das sementes colhidas e devolvem uma quantidade à biblioteca, permitindo que outras pessoas também tenham acesso a elas.
O gestor da Biblioteca Municipal de Sementes, Bruno Rocha da Silva, de 31 anos, é responsável pela preservação do acervo, que reúne espécies cultivadas na área do equipamento, localizado no Parque Nascentes do Ribeirão Colônia, em Parelheiros. No espaço, são cultivadas variedades de milho, feijão, jabuticaba e abóbora, entre outras espécies. Antes de serem disponibilizadas aos pequenos agricultores, as sementes passam por um processo de seleção e tratamento para favorecer a germinação.

Para contribuir com a manutenção do acervo, quem retira as sementes para as suas plantações deve devolver à biblioteca, como forma de retribuição e incentivo a novos agricultores, uma quantidade de grãos pelo menos 20% superior à que recebeu. Dessa forma, cria-se um ciclo virtuoso para expansão de uma agricultura sustentável, saudável e gratuita em plena metrópole.
O equipamento faz a diferença no sítio de Damiana Roselaine Macedo da Silva, de 34 anos, moradora do Jardim Herplin, na zona sul. Ela utiliza as sementes para cultivar alimentos de forma mais sustentável. A horta comunitária também conta com trabalhadores vinculados ao Programa Operação Trabalho (POT), que contribuem para o desenvolvimento das atividades. Parte dos alimentos colhidos é distribuída gratuitamente a famílias de baixa renda de Parelheiros.
Damiana conheceu a biblioteca durante uma formação oferecida pela Rede Transforma, no Curso de Formação Profissional de Catadores. Na época, ela tinha que entregar um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e buscava um tema relacionado à sustentabilidade.
“Precisava desenvolver um projeto de compostagem. Com isso, nasceu a Casa da Planta, que juntava a reciclagem e a horta comunitária. Conversei com alguns parceiros e o pessoal da faculdade para conseguir dar vida ao projeto. Eles me indicaram o Bruno, responsável pela Biblioteca de Sementes”, conta Damiana.
Bruno destaca a importância do equipamento para os agricultores e para a promoção da alimentação saudável junto à população em geral. “É importante ter um equipamento como esse, principalmente porque temos um grande programa pioneiro chamado Sampa+ Rural, que auxilia os agricultores no dia a dia, dando assistência técnica”, explica o gestor.
Segundo ele, a Biblioteca de Sementes demonstra o quanto a Prefeitura se importa com o bem-estar das pessoas. “Quando falamos em alimentação saudável, precisamos saber de onde vem essa semente, qual foi o processo, se ela passou pelo modelo agroecológico ou se teve modificação”, afirma.
Ao visitar a biblioteca, Damiana foi recebida por Bruno, que apresentou o espaço e explicou como montar uma horta. “Foi ótimo. Recebemos orientações sobre como fazer uma horta e quais sementes plantar em cada mês. Na minha concepção, era só coletar as sementes e plantar, mas, quando o Bruno começou a explicar, percebi que tudo aquilo faria diferença no resultado”, relata.
Damiana frequenta o equipamento a cada três meses para retirar sementes e diversificar o cultivo em seu sítio. Entre as variedades que levou para casa estão milho de pipoca, milho comum, abóbora e cebolinha, além de outras espécies. Para aprimorar o projeto Casa da Planta, ela recebe, há pelo menos dois anos, acompanhamento do programa Sampa+Rural, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. A iniciativa oferece orientações técnicas para aprimorar o cultivo e melhorar os resultados da produção.
Segundo Damiana, os alimentos cultivados são destinados à comercialização e à doação. “Hoje, o nosso projeto se desenvolveu bem e conseguimos vender cestas orgânicas para pessoas que moram aqui na região, o que gera renda para o local. Além disso, realizamos doações. Tudo isso foi possível porque a nossa horta cresceu e passou a ter uma grande variedade de alimentos”, relata.
Para Damiana, a biblioteca também representa uma oportunidade para que mais pessoas cultivem os próprios alimentos e ampliem o acesso a produtos orgânicos. “É um incentivo, porque assim outras pessoas podem plantar em suas propriedades e ter a oportunidade de fazer uma horta. Nem sempre, na periferia, há condições de acesso a alimentos orgânicos. Ter a oportunidade de plantar, colher e levar esses alimentos ao prato de outras pessoas é maravilhoso”, conta.
Para contribuir com a manutenção do acervo, a Biblioteca Municipal de Sementes conta com mais de 100 pessoas cadastradas, que retiram sementes na unidade e as cultivam em seus territórios. Atualmente, o equipamento reúne cerca de 145 espécies, produzidas na horta local ou recebidas por meio de doações de agricultores, moradores e indígenas que vivem na região.
Segundo Bruno, o procedimento para retirar as sementes é simples e pode contribuir para o cultivo futuro. Os interessados em montar uma pequena horta em casa ou mudar o modelo de cultivo devem fazer um cadastro pessoalmente na sede da biblioteca. No local, o interessado receberá orientações referentes às melhores técnicas de cultivo para a sua plantação.
Os “fazendeiros urbanos” também são orientados a reservarem parte das sementes colhidas para o próximo plantio. “Assim, eles se tornam guardiões de sementes e devolvem pelo menos 20% dos grãos à biblioteca, permitindo que outras pessoas também sejam beneficiadas. Dessa forma, mantemos um ciclo verde”, explica Bruno.
Serviço:
Biblioteca Municipal de Sementes
Com agendamento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
Sem agendamento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 12h
E-mail: eagroecologiaparelheiros@prefeitura.sp.gov.br
Telefone: 11 95220-0100
Endereço: Parque Nascentes do Ribeirão Colônia – Estrada do Colônia, 2500 – Jardim Novo Parelheiros
Fonte: Prefeitura de São Paulo SP

