Abertura oficial reforça união municipalista, papel das instituições e protagonismo de São Paulo

Crédito: Fotos: Divulgação Associação Paulista de Municipios APM

A cerimônia oficial de abertura do 68º Congresso Estadual de Municípios, realizada no início da noite desta segunda-feira (6), no Distrito Anhembi, consolidou o tom político e institucional do evento, com defesa do municipalismo, cobrança por equilíbrio federativo e destaque ao papel das instituições de controle.

Promovido pela Associação Paulista de Municípios (APM), o encontro reúne lideranças de todo o Estado para discutir caminhos de fortalecimento das administrações locais diante do aumento de responsabilidades e da limitação de receitas.

Como anfitrião, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou a importância de sediar o evento. “As pessoas vivem nas cidades. É nelas que precisamos concentrar esforços para melhorar a qualidade de vida”, afirmou. O prefeito também colocou a estrutura da administração municipal à disposição de outras prefeituras, especialmente em iniciativas de concessões e parcerias com o setor privado.

Presidente de honra da APM, Gilberto Kassab reforçou a necessidade de resgatar o protagonismo dos municípios no desenvolvimento nacional. Ele criticou a concentração de recursos na União e defendeu a revisão do pacto federativo. “Responsabilidades foram transferidas sem a receita correspondente. É preciso corrigir esse desequilíbrio”, disse.

O presidente da entidade, Fred Guidoni, destacou o esforço coletivo para a realização do congresso e alertou para o impacto das chamadas “pautas-bomba”, que podem gerar mais de R$ 270 bilhões em despesas adicionais aos municípios sem a devida compensação.

Ele também ressaltou a importância da parceria com o governo estadual na execução de políticas públicas. “Só vamos transformar as cidades se mostrarmos a força do municipalismo paulista”, frisou.

Parcerias e entregas do governo paulista
A solenidade de abertura contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas, que reforçou o papel da parceria entre o Estado e municípios como base para o desenvolvimento. Segundo ele, os resultados alcançados por São Paulo são fruto de um trabalho conjunto. “O sucesso vem quando a gente atua como um time único”, afirmou.

Em seu discurso, o chefe do Executivo paulista destacou iniciativas voltadas ao enfrentamento do subfinanciamento da saúde, como a Tabela SUS Paulista, que amplia o valor pago por procedimentos e já permitiu a abertura de milhares de leitos e a ampliação das cirurgias eletivas no Estado.

Na área de infraestrutura, Tarcísio ressaltou a retomada e entrega de obras históricas, como a Linha 17 do Metrô e projetos rodoviários estratégicos, além do início das obras do Trem Intercidades, que ligará São Paulo a Campinas.

Ele também fez menção ao avanço em saneamento básico e habitação, com a presença da CDHU na maioria dos municípios paulistas. O governador também defendeu modelos de gestão baseados em resultados, com uso de parcerias público-privadas (PPPs), especialmente na área educacional, permitindo que profissionais da rede se concentrem na atividade pedagógica.

Ao abordar a condução da administração pública, Tarcísio enfatizou a importância da responsabilidade fiscal e da eficiência. “Quem não cuida das contas não cuida das pessoas”, disse ele, que reforçou a necessidade de foco em entregas concretas. “A população quer resultado”, ressaltou.

Controle e orientação
A presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Cristiana de Castro Moraes, destacou o papel da instituição no acompanhamento da gestão municipal. Segundo ela, a Corte atua não apenas na fiscalização dos recursos públicos, mas também no apoio técnico às câmaras na avaliação das contas das prefeituras. “Exercemos também um papel pedagógico. Temos nos desdobrado para orientar os gestores”, afirmou, ao lembrar que muitos dos participantes já passaram pelos ciclos de debates promovidos pelo órgão.

Cristiana ressaltou ainda a presença constante do tribunal nas edições do congresso, reforçando a importância do diálogo institucional para aprimorar a gestão pública e prevenir irregularidades.

O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, abriu a plenária geral do 68º Congresso Estadual de Municípios com um alerta direto: o cenário fiscal das prefeituras é o mais crítico dos últimos anos e exige reação coordenada dos chefes do Executivo locais. Segundo ele, os municípios paulistas registraram déficit de cerca de R$ 50 bilhões entre 2023 e 2024, com mais da metade das cidades no vermelho.

A plenária, que debateu o tema “Pautas-bomba e pacto federativo: como proteger o orçamento municipal e a entrega de serviços”, reuniu lideranças para discutir impactos estimados em até R$ 270 bilhões sobre os cofres municipais, decorrentes de novas obrigações sem fonte de financiamento definida.

Ziulkoski destacou que, além da pressão estrutural, há problemas na execução orçamentária da União. Em 2025, foram autorizados R$ 34 bilhões em emendas parlamentares para municípios, mas apenas uma fração foi efetivamente paga. Para 2026, há previsão de liberação de R$ 17,3 bilhões até junho, porém, até o momento, somente R$ 258 milhões foram transferidos.

O dirigente também chamou atenção para o avanço da PEC 66/2023, considerada estratégica para aliviar as contas municipais, e para a implementação da reforma tributária, cuja fase de transição já preocupa gestores locais.

Entre os principais fatores de pressão sobre os orçamentos municipais, Ziulkoski listou mudanças no Imposto de Renda, aumento de despesas com pessoal, reajustes do piso do magistério e programas federais com valores defasados. Ele também citou o estoque de precatórios, que soma R$ 105 bilhões no país, sendo R$ 67 bilhões apenas em São Paulo.

Impacto crescente de novas obrigações

O presidente da CNM detalhou ainda os impactos de propostas em tramitação no Congresso Nacional — as chamadas “pautas-bomba”. Apenas em São Paulo, o impacto estimado chega a R$ 34 bilhões.

Entre os exemplos, estão a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de endemias, com impacto atuarial de R$ 7,5 bilhões; o adicional de insalubridade para profissionais da educação, com custo anual de R$ 3,7 bilhões; a exigência de atendimento individualizado na educação especial, estimada em R$ 1,4 bilhão por ano; e a ampliação da oferta de instituições de longa permanência para idosos, com impacto de R$ 8,8 bilhões.

Também entram na conta propostas como a criação de piso salarial para médicos e cirurgiões, com custo anual de R$ 1,8 bilhão, e a chamada PEC da Segurança, que, segundo Ziulkoski, incentiva a criação de guardas municipais sem indicar fonte de financiamento.

Pressão nas cidades e concentração de recursos

Presidente de honra da APM e vice-presidente de Relações Institucionais da entidade, Gilberto Kassab reforçou o diagnóstico de pressão crescente sobre os gestores municipais.

“Os prefeitos estão com o pires na mão”, afirmou, ao destacar o aumento contínuo da demanda por serviços públicos nas cidades.

Kassab defendeu a revisão do pacto federativo, com redistribuição mais equilibrada dos recursos hoje concentrados na União. Ele também propôs mudanças no sistema político, como a adoção do voto distrital misto, com o objetivo de ampliar a representatividade municipal no Congresso Nacional e melhorar o acompanhamento das ações parlamentares, incluindo a destinação de emendas.

Outro ponto levantado foi a necessidade de engajamento dos gestores na reforma administrativa. “Sem mobilização, não conseguiremos avançar”, afirmou. Ele também sugeriu mudanças em critérios institucionais, como idade mínima e quarentena para cargos em tribunais superiores.

O 68º Congresso da APM tem apoio institucional da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado de São Paulo; patrocínio master da Atria Investimentos e Participações, Comgas e Prodam; apoio da Associação de Municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte (Amvale), CDHU, Funap, Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), IPEM SP, Sebrae SP, Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo e Senac; patrocínio da Associação Paulista de Biomedicina, Banco do Brasil, Caixa, CIP Soluções, Editora Munera, FA Consulting, Itaú, Local DC, OM30, Pedágio Digital, Prodesp, Sabesp, Sentry, Serpro, União Incorporadora e Construtora, Via Brasil Mobility e Vivo.

Serviço

68° Congresso Estadual de Municípios

De 6 a 8 de abril de 2026

Realização: Associação Paulista de Municípios – APM

Local: Distrito Anhembi

Endereço: Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana, São Paulo/SP

Inscrições gratuitas pelo site www.apaulista.org.br/congresso

Fonte: Associação Paulista de Municipios APM

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