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Repasses crescentes do ICMS Ecológico transformam-se em uma poderosa ferramenta financeira, incentivando prefeituras a investirem em áreas de conservação, saneamento e gestão de resíduos para gerar desenvolvimento sustentável.
O ICMS Ecológico está se consolidando como um dos mecanismos mais eficazes para alinhar o desenvolvimento econômico à sustentabilidade no Brasil. Longe de ser apenas um incentivo, o repasse de fatias crescentes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para municípios que demonstram avanços em sua gestão ambiental é uma injeção de recursos vitais para os orçamentos locais. Estados como Paraná, Pernambuco e Amazonas têm registrado volumes expressivos de repasse, demonstrando que a preservação e o saneamento são ativos financeiramente rentáveis para a gestão pública.
Para prefeitos e secretários municipais, entender e otimizar a participação no ICMS Ecológico é uma questão de inteligência fiscal e compromisso com o futuro. O mecanismo funciona como uma recompensa direta por políticas ambientais efetivas, cobrindo os custos de operação e manutenção de projetos cruciais.
Como Funciona: Dois Pilares de Premiação
A legislação do ICMS Ecológico varia ligeiramente entre os estados, mas o princípio central é o mesmo: desvincular parte do repasse (que tradicionalmente se baseia apenas na produção econômica) para incluir critérios ambientais e de desenvolvimento sustentável.
Os municípios são pontuados e premiados em duas frentes principais:
Biodiversidade e Conservação: Premia municípios que abrigam Unidades de Conservação (UCs), áreas especialmente protegidas ou mananciais de abastecimento. Para maximizar a pontuação, o gestor deve garantir que as UCs estejam devidamente regularizadas e que existam planos de manejo eficazes. O município é compensado por ter restrições de uso em seu território em nome da preservação.
Saneamento e Resíduos Sólidos: Este é o pilar com maior potencial de crescimento para a maioria das cidades. A pontuação é baseada em indicadores de desempenho, como:
Índice de Tratamento de Esgoto: Quanto maior a porcentagem de esgoto coletado e tratado, maior o repasse.
Gestão de Resíduos: Obras para o fim dos lixões e a implementação da coleta seletiva e da reciclagem aumentam significativamente a pontuação.
O sucesso do modelo é evidente: em Pernambuco, por exemplo, o número de municípios beneficiados saltou de 34 para 174 em uma década, demonstrando que o incentivo funciona como um catalisador para a melhoria da gestão ambiental.
Estratégias para Maximizar os Repasses
Para prefeitos que buscam aumentar a receita municipal via ICMS Ecológico, as ações devem ser focadas e intersetoriais:
Investimento Prioritário em Saneamento: Direcionar recursos, inclusive por meio de PPPs ou consórcios, para a construção de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e a implementação de aterros sanitários é a forma mais rápida de subir no ranking de repasses.
Regularização Fundiária Ambiental: Trabalhar na regularização e criação de novas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) ou Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) dentro do território municipal.
Transparência e Monitoramento: Utilizar simuladores e plataformas digitais (como as disponibilizadas por órgãos estaduais, a exemplo do IAT no Paraná) para monitorar os indicadores ambientais em tempo real e garantir que os dados sejam reportados corretamente aos Tribunais de Contas e órgãos fiscalizadores.
O ICMS Ecológico transforma a responsabilidade ambiental em oportunidade financeira. É um modelo de governança que recompensa a eficiência e garante que o esforço municipal em prol da natureza e da saúde pública seja reconhecido e financiado.
Fonte: Tribunais de Contas Estaduais (TCEs)
