Crédito: Exame.com
Tecnologia Cell Broadcast, que emite alerta sonoro mesmo com o celular no silencioso, entra em operação total neste verão de 2026; gestores municipais devem atualizar o mapeamento de áreas de risco (polígonos) no sistema federal.
Esqueça o SMS que ninguém lia. O novo sistema de alertas de desastres do Governo Federal é intrusivo, instantâneo e não exige cadastro. Para funcionar, porém, a “inteligência geográfica” da prefeitura precisa estar em dia.
Neste final de janeiro de 2026, o Brasil dá um salto tecnológico na gestão de desastres. Após fases de testes no Sul e Sudeste, o sistema Defesa Civil Alerta (baseado na tecnologia Cell Broadcast) entra em operação em todo o território nacional. A novidade aposenta a lógica do antigo SMS 40199, que exigia cadastro prévio do cidadão, e introduz o conceito de “Sirene no Bolso”.
Para o prefeito e o Coordenador Municipal de Defesa Civil (COMPDEC), a mudança é drástica. Agora, em caso de risco iminente de alagamento, deslizamento ou vendaval, todos os celulares conectados às antenas (ERBs) de uma determinada região geográfica receberão um alerta pop-up na tela, acompanhado de um aviso sonoro estridente e vibração — mesmo que o aparelho esteja no modo silencioso ou “não perturbe”.
Como Funciona a Tecnologia
Diferente do SMS, que pode demorar horas para ser entregue em massa devido ao congestionamento da rede, o Cell Broadcast funciona via canal de rádio. A mensagem é “injetada” instantaneamente em todos os aparelhos de uma área delimitada.
Como ilustrado acima, a precisão geográfica é a chave. O sistema não dispara para a cidade inteira (o que causaria pânico desnecessário), mas apenas para o bairro ou região poligonal onde o risco é real.
O Dever de Casa do Município
A tecnologia é federal e operada pelas operadoras de telefonia e ANATEL, mas o gatilho da informação é local. O sistema só funciona se a Defesa Civil Municipal tiver realizado o mapeamento correto das Áreas de Risco Geológico e Hidrológico.
O gestor municipal precisa garantir que:
Polígonos Atualizados: As áreas de risco da cidade (ex: encosta do Morro X, margem do Rio Y) devem estar desenhadas digitalmente no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) ou na interface da Defesa Civil Nacional.
Operadores Capacitados: A equipe local deve saber operar a plataforma para solicitar o disparo do alerta à Defesa Civil Estadual/Federal assim que os pluviômetros indicarem níveis críticos.
Responsabilidade Civil e Política
A implementação do “Alerta Extremo” traz uma nova camada de responsabilidade jurídica. Se uma tragédia ocorrer e for comprovado que a prefeitura tinha a informação do risco, mas não acionou o sistema ou não tinha a área mapeada, o gestor pode responder por negligência ou improbidade administrativa.
A ferramenta elimina a desculpa de que “não havia como avisar a população”. Agora há. O alerta chega na mão do cidadão, interrompendo vídeos, jogos e conversas.
População Protegida
Para o munícipe, não é necessário instalar nenhum aplicativo ou ter créditos no celular. Basta estar na área de risco com o telefone ligado (mesmo que sem chip, em alguns casos, dependendo da rede 4G/5G).
Em um verão marcado por eventos climáticos extremos, o “Sirene no Bolso” é o aliado mais poderoso da prefeitura para cumprir sua missão primária: preservar a vida.
Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR)
