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Secretarias de Educação aguardam portaria do MEC que define o reajuste salarial para 2026; enquanto índice técnico aponta apenas 0,85%, pressão política e sindical gera temor de aumento real próximo a 10%, ameaçando a LRF.
O final de ano traz a habitual angústia fiscal para as prefeituras: a definição do novo Piso Nacional dos Professores. O anúncio oficial do Ministério da Educação é iminente, e o descompasso entre a regra técnica e a pressão política coloca as contas de janeiro em xeque.
A contagem regressiva para 2026 nas prefeituras brasileiras não é marcada apenas pelos fogos de artifício, mas pela calculadora na mão dos secretários de Finanças. O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Fazenda devem publicar, a qualquer momento nesta reta final de dezembro, a Portaria Interministerial que atualiza o Valor Aluno Ano do Ensino Fundamental (VAAF), índice utilizado pela Lei do Piso (Lei 11.738/2008) para reajustar o salário base do magistério.
O cenário para 2026 é de incerteza jurídica e econômica. Pelos cálculos técnicos preliminares baseados na variação do VAAF nos últimos dois anos, o reajuste seria pífio, girando em torno de 0,85%. No entanto, esse percentual é considerado inaceitável por sindicatos e categorias, que pressionam politicamente por um aumento real que recomponha a inflação e valorize a carreira. O temor nos gabinetes municipais é que uma decisão política ou judicial force um reajuste próximo a 10%, o que seria devastador para o equilíbrio fiscal da maioria das cidades.
O Perigo do “Efeito Cascata”
Para o prefeito, o problema nunca é apenas o salário inicial. A maioria dos Municípios possui Planos de Carreira e Remuneração (PCR) que vinculam todas as faixas salariais ao piso. Se o piso sobe 10%, o salário do professor com doutorado e 20 anos de casa também precisa subir 10%. É o chamado efeito cascata.
Impacto na LRF: Um reajuste linear dessa magnitude empurraria centenas de prefeituras para acima do Limite Prudencial (51,3%) ou Máximo (54%) da Lei de Responsabilidade Fiscal com despesa de pessoal, travando a máquina pública e gerando multas aos gestores.
Achatamento da Carreira: Para não estourar o orçamento, muitos prefeitos acabam pagando o piso apenas para quem ganha menos, achatando a carreira e desmotivando os professores mais qualificados, o que gera greves e judicialização.
CNM Recomenda Prudência
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) mantém a orientação de cautela. A entidade defende que, diante do vácuo legal sobre o critério de reajuste (após a mudança do Fundeb em 2020), os gestores devem priorizar a reposição inflacionária (INPC) até que uma nova lei federal regulamente o tema com segurança.
A expectativa é que a portaria do MEC saia entre o Natal e o Ano Novo. Até lá, o orçamento da Educação para 2026 permanece uma obra aberta, e os prefeitos preparam os planos de contingência para um possível embate financeiro logo em janeiro.
Fonte: Ministério da Educação (MEC)
