Estradas da Produção: Colheita da Safra 2026 Começa e Prefeitos do Interior Correm para Evitar o “Apagão Logístico”

Crédito: Banco de Imagens

Com a colheita da soja iniciando em ritmo forte em fevereiro, a manutenção das estradas vicinais se torna a prioridade nº 1; parcerias com associações de produtores são a saída jurídica para dividir os custos do óleo diesel e maquinário.

O PIB do município está no campo, mas precisa passar pela estrada. Após um janeiro chuvoso, a janela de estiagem de fevereiro marca o início do tráfego pesado de carretas. Para o gestor rural, garantir que o grão chegue ao silo é questão de sobrevivência econômica.

Estamos na primeira semana de fevereiro de 2026 e o cenário no interior do Brasil é de urgência. As colheitadeiras entraram em campo para recolher a safra de verão (especialmente a soja), projetada para bater novos recordes. No entanto, o gargalo não está na porteira para dentro, mas da porteira para fora. As chuvas intensas de janeiro deixaram a malha viária não pavimentada (estradas de terra) em estado crítico.

Para o Prefeito de um município agrícola, o colapso de uma ponte ou um atoleiro em uma vicinal estratégica não é apenas um transtorno de trânsito; é um prejuízo direto na arrecadação. Se o caminhão não roda, a nota fiscal não é emitida e o retorno do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) despenca lá na frente.

Não é só “Passar a Máquina”

O erro mais comum das Secretarias de Obras nesta época é fazer o “patrolamento simples” (apenas raspar a lama). Com o solo ainda úmido e a previsão de pancadas de chuva isoladas, isso pode piorar a situação, criando uma “pista de sabão”.

A técnica correta de manutenção emergencial exige engenharia de drenagem:

Abaulamento (Camber): A estrada precisa ter o centro mais alto que as bordas (formato de telhado), para que a água escorra para as laterais e não empoce no meio.

Saídas de Água (Bigodes): É vital abrir valetas laterais que joguem a água para as pastagens vizinhas. Estrada sem saída de água vira canal.

Cascalhamento Pontual: Em vez de tentar cascalhar a estrada toda (o que é caro e demorado), a ordem é atacar os “pontos críticos” — subidas íngremes e baixadas alagadiças.

A Solução Financeira: Parcerias Público-Privadas Rurais

O orçamento municipal muitas vezes não comporta o custo de diesel e manutenção de máquinas para recuperar centenas de quilômetros em 30 dias. A saída legal que prefeituras eficientes estão adotando é a Lei de Parceria com Produtores.

O modelo funciona assim:

A Prefeitura entra com o maquinário (motocultivadoras, pás-carregadeiras) e os operadores.

Os Produtores Rurais (ou Associação) entram com o óleo diesel e, às vezes, com a alimentação da equipe ou fornecimento de cascalho de suas propriedades.

Essa cooperação, quando formalizada por lei municipal específica, agiliza o trabalho e divide a conta de forma justa, já que o produtor é o maior interessado no escoamento.

Atenção às Pontes

Além da estrada, fevereiro é o mês de vistoriar as pontes de madeira. O peso das carretas atuais (bitrens e rodotrens carregados) ultrapassa facilmente 50 ou 70 toneladas. Uma ponte antiga pode não suportar, causando tragédias e isolando comunidades inteiras. A substituição emergencial por aduelas de concreto ou tubos metálicos corrugados é mais rápida e definitiva do que reformar a madeira podre.

Garantir a “Estrada da Produção” é garantir que a riqueza gerada no campo se transforme em recursos para a saúde e educação da cidade.

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

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