Crédito: Foto: Divulgação Prefeitura de SP
Mapeamento, validado pelo C40, foi feito por técnicos da SMDET com base na metodologia de empregos verdes do Bureau of Labor Statistics (BLS), dos Estados Unidos
A capital tem ampliado a participação das ocupações verdes, funções diretamente ligadas à sustentabilidade, à eficiência energética, à economia circular e à preservação ambiental. Um novo estudo sobre o mercado de trabalho da Prefeitura de São Paulo aponta que, em 2024, a cidade contabilizou 290.334 vínculos formais nessas ocupações, o equivalente a aproximadamente 5% do total de empregos formais.
A pesquisa foi desenvolvida por técnicos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET) com base na metodologia de empregos verdes do Bureau of Labor Statistics (BLS), dos Estados Unidos, uma das principais referências internacionais sobre o tema. O levantamento identificou 345 ocupações verdes entre as 2.709 ocupações analisadas no mercado formal paulistano.
O estudo complementa a pesquisa lançada anteriormente pela Prefeitura em parceria com a rede internacional de cidades C40. Juntos, os dois levantamentos constituem uma das bases de dados mais completas já produzidas por um município brasileiro sobre economia verde e mercado de trabalho, ampliando a capacidade de planejamento e de formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável.
O resultado mantém a trajetória de crescimento dos empregos verdes na capital, que passou de 286.533 trabalhadores em 2022 para 286.978 em 2023, reforçando a consolidação da economia verde como um importante vetor de geração de emprego e renda em São Paulo.
As ocupações foram classificadas de acordo com cinco critérios: eficiência energética, fontes de energia renovável, redução de impactos ambientais e economia circular, preservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais, além de conformidade e educação ambiental. Entre as profissões mapeadas estão funções tradicionalmente ligadas à transição ecológica, mas também atividades que desempenham papel estratégico na redução de impactos ambientais dentro de diversos setores econômicos.
O setor de reparação e manutenção concentra o maior número de empregos verdes da cidade, com mais de 106 mil vínculos formais, seguido por transporte (70,5 mil), gestão de resíduos (42,4 mil) e infraestrutura (29 mil). Entre as ocupações com maior número de trabalhadores estão motorista de ônibus urbano (32.106), trabalhador de limpeza e conservação de áreas públicas (30.136) e trabalhador da manutenção de edificações (25.722).
Além de identificar o perfil das ocupações, o estudo também analisou características dos profissionais. Os trabalhadores em ocupações verdes são majoritariamente homens (82%), enquanto 18% são mulheres. Em relação à escolaridade, a maior parte possui ensino médio completo, representando mais de 155 mil trabalhadores. Já a faixa etária predominante está entre 50 e 64 anos, seguida pelo grupo de 40 a 49 anos.
Mudanças e expansão
Entre as transformações impulsionadas pela economia verde está a eletrificação da frota de ônibus da capital. Há 13 anos no transporte coletivo e há dois operando veículos elétricos, a motorista Priscila Correia, 38 anos, conta que a principal mudança está nas novas responsabilidades da função, que passou a incluir o acompanhamento do nível de carga da bateria antes de sair da garagem. Ela explica ainda que a chegada de novos modelos exige treinamentos específicos para a condução.
As mudanças também contribuíram para tornar a profissão mais acessível. Segundo Priscila, os ônibus elétricos reduziram o esforço físico necessário para dirigir. “Os veículos trazem toda essa tecnologia que a gente não precisa mais estar ali na força braçal. E as mulheres são muito capazes de desempenhar a profissão.”
Se a eletrificação da frota de ônibus cria novas oportunidades, a expansão das políticas ambientais também amplia as ocupações técnicas voltadas ao planejamento e à gestão do território. Na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), profissionais especializados em geotecnologia, sensoriamento remoto e inteligência artificial vêm ganhando espaço para subsidiar decisões da administração pública.
É o caso de Valdson de Oliveira, 43 anos, que atua na Coordenação de Gestão de Parques e Biodiversidade da SVMA. Geógrafo, com formação também em análise de sistemas, ele integra a equipe responsável pela coleta, coordenação e geração de informações geoespaciais utilizadas no monitoramento da cobertura vegetal, na identificação de áreas com desmatamento e queimadas, na recuperação da vegetação e na elaboração de planos de manejo dos parques.
“A gestão toda e a tomada de decisão estão se baseando em dados”, afirma o profissional. Na avaliação dele, o trabalho contribui para tornar as políticas públicas mais eficientes e para economizar recursos públicos.
Com cerca de 15 anos de experiência na área, Valdson afirma que a profissão vem crescendo com o avanço da tecnologia. “Quando eu iniciei a gente fazia muito desses processos à mão. Agora, com a IA, facilitou muito as coisas. Hoje a gente faz vários trabalhos utilizando IA e a tendência é que aumente cada vez mais”, comenta. Ele também destaca que a oferta de cursos e especializações aumentou, acompanhando a expansão desse mercado.
Na avaliação do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, o levantamento fortalece a capacidade da Prefeitura de direcionar políticas públicas voltadas à qualificação profissional e à geração de empregos sustentáveis.
“São Paulo já demonstrou sua força na economia verde ao mapear as atividades econômicas ligadas à sustentabilidade. Agora damos mais um passo ao identificar quem são os profissionais que movimentam esse setor. Esses dados permitem desenvolver políticas públicas mais eficazes de qualificação, inclusão produtiva e geração de oportunidades alinhadas aos desafios climáticos e ao futuro do trabalho.”
A chefe de gabinete da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), Tamires Oliveira, destaca que os investimentos em infraestrutura sustentável, mobilidade limpa e qualificação técnica têm fortalecido a economia verde e ampliado a geração de empregos na capital.
“Sustentabilidade e desenvolvimento caminham juntos em São Paulo. Ao investirmos em infraestrutura resiliente e mobilidade limpa, impulsionamos setores de manutenção e serviços que hoje lideram a geração de empregos verdes. A SVMA é peça-chave nessa engrenagem: nosso corpo técnico altamente qualificado, composto por engenheiros, agrônomos, biólogos, geógrafos e diversos outros especialistas, trabalha diariamente para que a expansão de áreas verdes e a conservação ambiental se traduzam em oportunidades reais. Nossa gestão segue firme em transformar a capital em um hub de economia verde”, avalia Tamires.
Principais resultados do estudo
– 290.334 trabalhadores em ocupações verdes na cidade de São Paulo;
– 345 ocupações verdes identificadas;
– 5% dos empregos formais do município estão em ocupações verdes;
– Crescimento de 3,8 mil vínculos verdes entre 2022 e 2024;
– Reparação e manutenção é o setor com maior número de trabalhadores verdes (106 mil);
– Motorista de ônibus urbano é a ocupação verde com maior número de vínculos (32.106);
– 82% dos trabalhadores são homens e 18% mulheres;
– Ensino médio completo é o nível de escolaridade predominante entre os profissionais.
Por: SECOM – Prefeitura de São Paulo
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Fonte: Prefeitura de SP


