Contratação de Soluções Inovadoras (CPSI) nas Prefeituras

Gestores públicos e desenvolvedores de startup apresentando solução tecnológica inovadora para gestão municipal em ambiente de testes

Crédito: Imagem gerada por IA

Saiba como o CPSI do Marco Legal das Startups desburocratiza a compra de tecnologias e softwares inovadores pelas prefeituras.

Durante décadas, o processo de compras públicas de tecnologia no Brasil enfrentou um paradoxo burocrático. Pressionadas pela Lei nº 8.666/93 e pelas amarras das licitações tradicionais por “menor preço”, as prefeituras viam-se obrigadas a descrever minuciosamente o software ou a solução que queriam comprar — algo quase impossível quando o objetivo era resolver problemas urbanos inéditos através de tecnologias emergentes. Para destravar a inovação nos municípios, o Marco Legal das Startups (Lei Complementar nº 182/2021) criou o Contrato Público de Solução Inovadora (CPSI).

Com essa ferramenta, a administração pública não licita mais a “composição de um software”, mas sim o desafio público a ser resolvido, permitindo que startups e govtechs apresentem e testem soluções tecnológicas de alto impacto.

O que torna o CPSI diferente das licitações tradicionais?

A licitação para inovação rompe com a lógica engessada do edital tradicional e introduz flexibilidades essenciais para a transformação digital das cidades:

Licitação do Problema, não da Solução: O edital de CPSI descreve o problema que a prefeitura precisa sanar (ex: como identificar focos de dengue por imagens de drone, ou como prever filas em postos de saúde), dando liberdade para que as empresas apresentem caminhos tecnológicos distintos.

Ambiente de Testes Remunerado (Sandbox): O CPSI permite a celebração de um contrato de teste e validação (com valor limite de até R$ 1,6 milhão e vigência de até 12 meses). A empresa é paga para testar e adaptar a solução na escala real do município.

Contratação Direta sem Nova Licitação: Se a solução demonstrar eficiência e atingir as metas fixadas durante a fase de teste, a prefeitura pode assinar um Contrato de Fornecimento direto por até 48 meses (renovável por mais 48), sem necessidade de abrir uma nova concorrência pública.

Onde as Govtechs estão gerando valor nos municípios?

A aplicação do CPSI abrange todas as secretarias e áreas operacionais da prefeitura, acelerando entregas e cortando custos operacionais:

Saúde Pública: Softwares com inteligência artificial para triagem automatizada de exames radiológicos ou triagem virtual de pacientes na atenção primária.

Zeladoria e Obras: Aplicativos de inteligência geográfica que detectam buracos no asfalto e lâmpadas queimadas através de câmeras acopladas a veículos de coleta de lixo.

Educação e Gestão Escolar: Plataformas adaptativas de aprendizagem gamificada que identificam dificuldades de leitura e matemática em alunos da rede municipal.

Finanças e Arrecadação: Algoritmos para cruzamento de dados imobiliários e fiscais, combatendo a sonegação de tributos locais de forma automatizada.

Segurança Jurídica e Critérios do Julgamento no CPSI

Uma das maiores vantagens para a comissão de contratação do município é a flexibilização dos critérios de julgamento das propostas. Em vez de focar isoladamente no menor preço, a comissão avalia:

Potencial de Resolução do Desafio: Grau de inovação e adequação técnica da proposta;

Modelagem e Custos Operacionais: Viabilidade econômica do projeto em escala;

Demonstração Prática (Pitch / Modet de Teste): Avaliação do desempenho prático do software ou protótipo apresentado pela startup.

Todo o processo cumpre rigorosamente os princípios da impessoalidade, publicidade e economicidade exigidos pelos Tribunais de Contas, garantindo total segurança jurídica aos prefeitos, secretários e comissões de licitação.

Roteiro prático para a prefeitura lançar seu primeiro edital CPSI

Para gestores municipais que desejam adotar o CPSI e transformar sua cidade em um polo de inovação pública, especialistas orientam:

Mapeamento de Desafios Internos: Reunir secretarias para catalogar gargalos operacionais que não possuem solução pronta no mercado tradicional.

Publicação do Edital do Desafio: Lançar o edital com regras claras de participação, indicadores de sucesso desejados e orçamento alocado para a fase de testes.

Formação de Comissão Especial de Avaliação: Compor banca técnica com servidores públicos e especialistas para julgar as propostas com foco na viabilidade do projeto.

A adoção do Contrato Público de Solução Inovadora prova que a modernização do município não depende de burocracias pesadas, mas sim da coragem de abrir as portas da prefeitura para a criatividade e a eficiência das tecnologias brasileiras.

Da Redação

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