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Com o retorno do financiamento de 80% pela Caixa e novas condições para a classe média, mercado imobiliário projeta expansão em 2026, abrindo janela de oportunidade para municípios aumentarem a arrecadação de ITBI e ISS.
O ano de 2026 começa com ventos favoráveis para o setor que é o termômetro da economia brasileira: a construção civil. As novas diretrizes de crédito imobiliário, lideradas pela Caixa Econômica Federal e impulsionadas por ajustes no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), trazem de volta condições que haviam desaparecido do mercado. O destaque é o retorno da cota de financiamento de 80% do valor do imóvel (que havia sido reduzida para 70% em momentos de escassez de recursos) e a elevação do teto de imóveis financiáveis pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) para até R$ 2,25 milhões.
Para o prefeito e o secretário de Fazenda, essa sopa de letrinhas e percentuais tem uma tradução prática e imediata: aumento de receita própria. O aquecimento do mercado imobiliário impacta diretamente duas das principais fontes de arrecadação municipal: o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto Sobre Serviços (ISS).
A Classe Média Volta ao Jogo
As novas regras miram uma faixa da população que ficou “no limbo” nos últimos anos: a classe média. Com renda alta demais para programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida, mas sem poupança suficiente para dar entradas de 30% ou 40% exigidas pelos bancos privados, essas famílias haviam adiado a compra.
Ao permitir uma entrada menor (20%) e oferecer juros mais competitivos no SFH, a Caixa destrava uma demanda reprimida. Isso significa mais transações de compra e venda acontecendo na sua cidade — de apartamentos na planta a casas usadas.
O Impacto Direto no Cofre Municipal
Para a gestão municipal, o “boom” imobiliário de 2026 oferece uma oportunidade de ouro para equilibrar as contas sem precisar aumentar alíquotas de impostos, medida sempre impopular.
Receita de ITBI: Cada contrato assinado na Caixa vira uma guia de ITBI para ser paga na prefeitura. Como o valor dos imóveis financiados aumentou (teto de R$ 2,25 milhões), o valor médio do imposto arrecadado também tende a subir. É dinheiro em caixa no ato da regularização.
ISS da Construção: O crédito facilitado também impulsiona novos lançamentos de construtoras e pequenas reformas. Isso movimenta toda a cadeia de serviços — do engenheiro ao pedreiro —, gerando ISS sobre a mão de obra e sobre as notas de serviço das empreiteiras.
Regularização Fundiária: O momento de crédito farto é ideal para lançar campanhas de regularização, incentivando quem tem apenas “contrato de gaveta” a escriturar o imóvel para poder vendê-lo financiado.
O Papel do Gestor: Preparar a Casa
Para aproveitar essa onda, a prefeitura não pode ser um gargalo. A burocracia na emissão de guias de ITBI ou na aprovação de projetos de obras pode frustrar a arrecadação. Gestões modernas estão investindo na digitalização desses processos, garantindo que a guia do imposto seja emitida em minutos pelo site, integrando o sistema da prefeitura com os cartórios de registro de imóveis.
O crédito imobiliário de 2026 é o combustível; a eficiência da gestão municipal é o motor que transforma esse movimento em recursos para saúde, educação e infraestrutura.
Fonte: Caixa Econômica Federal
