Crédito: Banco de Imagens
Com o fim das tempestades de janeiro, o sol revela a destruição do pavimento; prefeituras apostam em massa asfáltica de aplicação a frio (polímeros) para tapar buracos mesmo com solo úmido e evitar colapso no trânsito.
O sol voltou neste início de fevereiro, mas trouxe à tona a “buraqueira” deixada pelo volume recorde de água. Sem tempo (e clima) para usinas de asfalto quente operarem, Secretarias de Obras recorrem à tecnologia do asfalto a frio para evitar acidentes e danos políticos.
Para o motorista, é prejuízo na suspensão. Para o Prefeito, é o maior desgaste de popularidade possível. As chuvas intensas de janeiro de 2026 castigaram a malha viária de norte a sul do país. A infiltração da água nas fissuras do asfalto velho, somada ao tráfego pesado, criou a receita perfeita para o surgimento de crateras em vias arteriais.
Tradicionalmente, a “Operação Tapa-Buraco” exige dias de sol forte para que o CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente) possa ser aplicado. O problema é que a população não pode esperar o chão secar completamente. Diante da urgência, gestores municipais estão massificando o uso do Asfalto a Frio de Alta Performance (com polímeros), uma solução técnica que permite reparos imediatos, inclusive em buracos com água.
A Diferença Técnica: Quente vs. Frio
Por que a mudança de estratégia? O asfalto convencional (CBUQ) precisa sair da usina a 150°C e ser aplicado antes de esfriar. Se chover no trajeto ou se o buraco estiver molhado, o material perde a liga e se solta em dias (o famoso “asfalto Sonrisal”).
Já o Asfalto a Frio Polimerizado vem em sacos ou a granel, pronto para uso. Ele contém aditivos químicos que reagem com a água ou umidade, permitindo a compactação imediata.
Como ilustrado acima, o reparo emergencial exige técnica:
Recorte (Quadramento): Não adianta jogar massa no buraco redondo. É preciso cortar as bordas em formato quadrado (quadramento) para dar sustentação.
Limpeza: Retirar a lama e pedras soltas.
Aplicação e Compactação: O asfalto a frio é aplicado e compactado com placa vibratória ou rolo. O trânsito pode ser liberado imediatamente.
Custo x Benefício Político
O asfalto a frio é, em média, 30% a 40% mais caro por tonelada do que o asfalto quente. No entanto, para a gestão, a conta fecha pela logística e pela urgência.
Sem Desperdício: O CBUQ que sobra no caminhão no fim do dia esfria e vai para o lixo. O asfalto a frio pode ser estocado por meses.
Equipes Pequenas: Uma caminhonete e dois funcionários com sacos de 25kg resolvem buracos isolados em bairros distantes, sem precisar deslocar maquinário pesado.
Contratos de Emergência
Do ponto de vista administrativo, Fevereiro é o mês de revisar os contratos de manutenção viária. Se a prefeitura não possui Ata de Registro de Preços vigente para fornecimento de massa asfáltica, a situação de calamidade ou emergência decretada pelas chuvas pode justificar a Dispensa de Licitação para a compra imediata do material, desde que devidamente fundamentada pela Defesa Civil e Secretaria de Obras.
A orientação é clara: tapar os buracos perigosos agora com material a frio e planejar o recapeamento completo (CBUQ) para o período de estiagem (maio a agosto). Deixar a cratera aberta esperando o “tempo firmar” é um risco jurídico (acidentes) que nenhum gestor deve correr.
Fonte: Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) – Manual de Conservação Rodoviária.
