Crédito: Foto: CGCOM Funarte
Abertura do CEDOC Funarte, exposição no Capanema, arte pública e show com Josyara e Juliana Linhares marcam conclusão das comemorações de aniversário
Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), realizou na terça-feira, dia 31 de março, no Rio de Janeiro (RJ), a conclusão dos atos públicos em celebração aos seus 50 anos. A programação reuniu a abertura da nova sede do Centro de Documentação e Pesquisa – CEDOC Funarte, com a exposição Ocupação Grande Othelo, a inauguração da mostra “Visualidades Brasileiras – Funarte 50 Anos”, no Palácio Gustavo Capanema, e um ato solene aberto pela Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades e encerrado com show das artistas Josyara e Juliana Linhares. Marcou também o anúncio da publicação, no Diário Oficial da União, na mesma data, do Decreto nº 12.916, assinado pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que institui a Política Nacional das Artes (PNA).
Encerrando um ciclo de três meses de atividades realizadas em diferentes regiões do Brasil, o conjunto de ações reafirma a importância histórica da instituição e projeta novas bases para o fortalecimento das políticas públicas para as artes, em diálogo com a implementação do Brasil das Artes – Uma Política Nacional.
“Hoje não é qualquer dia, este 31 de março. Há 62 anos, os poderes autoritários se organizaram para dar um um golpe. A Funarte, criada no contexto da ditadura civil, militar e empresarial, foi uma ofensiva sensível para ir abrindo caminhos por dentro, para fazer e inventar percursos para as artes. A Funarte tem em sua gênese a imaginação, a luz criativa e criadora das artes. Também neste 31 de março, o presidente Lula assina o decreto, publicado hoje, que institui em definitivo, no Brasil, a Política Nacional das Artes”, declarou a presidenta da Funarte, Maria Marighella.
Memória como política pública: abertura do CEDOC Funarte
A abertura da nova sede do CEDOC Funarte marcou um dos momentos mais simbólicos das comemorações. Instalado em imóvel histórico no Centro do Rio de Janeiro, o espaço passa a abrigar um dos mais importantes acervos das artes brasileiras, com mais de 1 milhão de itens.
Na ocasião, o diretor de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos da Funarte, Glauber Coradesqui, ressaltou o papel estruturante da memória: “A memória vai constituindo a gente como pessoa e como país. Vai ajudando a gente a entender que Brasil é esse que a gente sonha e constrói”.
A abertura contou com a presença de artistas, gestores públicos e representantes de instituições culturais, entre eles José Antônio de Souza Prata (Pratinha), filho de Grande Othelo; o mestre Dionísio, contemplado pelo Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes; a secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros; e a secretária de Cultura de Belo Horizonte, Cida Falabella.
Também esteve presente a equipe responsável pela estruturação do espaço ao longo dos últimos anos, em continuidade ao trabalho desenvolvido pela antiga Diretoria de Projetos, com a ex-diretora Laís Almeida, e seguido pela nova Diretoria de Memória, Pesquisa e Conteúdo, criada com a reestruturação administrativa da Funarte, cujos legados incluem iniciativas como o GT Funarte Acessibilidade, a reabertura da Livraria Mário de Andrade e o Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes.
A coordenadora do CEDOC Funarte, Joelma Neris Ismael, ressaltou o caráter coletivo da conquista. “A gente não chega a lugar nenhum sozinho. Esta é uma construção coletiva de muitas e muitas mãos que passaram e que ainda estão na Funarte”.
Durante a cerimônia, foi formalizada a doação definitiva do imóvel à Funarte pela Casa da Moeda, representada por Manuel Martins, gerente de Gestão de Escritórios e Dependências Institucionais, consolidando o espaço como patrimônio público dedicado à memória das artes.
Ocupação Grande Othelo: memória viva das artes brasileiras
Instalada no CEDOC Funarte, a Ocupação Grande Othelo apresenta mais de 160 itens do acervo pessoal do artista, sob guarda da Funarte desde 2008. A mostra, realizada em parceria com o Itaú Cultural, percorre a trajetória de um dos nomes mais importantes da cultura brasileira, cuja atuação atravessou teatro, rádio, cinema e televisão. Representando a instituição correalizadora, estiveram presentes Galiana Brasil, gerente do Núcleo de Curadorias e Programação Artística, e Tânia Rodrigues, gerente de Informação e Difusão Digital do Itaú Cultural.
A exposição reafirma o papel do CEDOC Funarte como espaço de preservação e difusão da memória artística, articulando passado e presente como dimensão ativa das políticas culturais. Durante o evento, a presidenta da Funarte, Maria Marighella, destacou o caráter político e simbólico da mostra: “Abrir esse CEDOC ao público celebrando esse artista genial é fazer valer também a história daqueles que nos antecederam. As políticas públicas para a cultura não são feitas apenas pelos poderes públicos. É hora de assumir posição, de tomar assento na política pública e na experiência coletiva da memória”.
A visitação à Ocupação Grande Othelo segue até 30 de setembro, de segunda a sexta, das 10h às 16h, exceto feriados.
Visualidades Brasileiras: cinco décadas em perspectiva
No Palácio Gustavo Capanema, a exposição Visualidades Brasileiras – Funarte 50 Anos reúne obras de 40 artistas de todas as regiões do país que já participaram de alguma ação da Funarte, compondo um panorama das artes visuais a partir da história institucional da Fundação. A abertura foi marcada pela performance “Nimbo Oxalá”, do artista Ronald Duarte.
A curadora da mostra, Luíza Interlenghi, destacou a importância de evidenciar a diversidade e a complexidade da produção artística brasileira. “A exposição propõe uma leitura sensível da pluralidade das visualidades brasileiras, considerando diferentes trajetórias, territórios e linguagens”.
A diretora do Centro de Artes Visuais da Funarte, Sandra Benites, reforçou o papel da arte contemporânea como campo de atualização crítica: “A arte contemporânea opera como espaço de encontro, reflexão e transformação dos contextos culturais”.
A abertura contou com a presença de parlamentares, gestores públicos e artistas, além de nomes históricos da cultura brasileira, como o fotógrafo Walter Firmo, ex-servidor da Funarte, que também integra a exposição e que destacou a importância da Fundação em sua trajetória.
Na ocasião, o artista Xadalu Tupã Jekupé, também participante da exposição, formalizou a doação de uma obra ao acervo da Funarte, ampliando o patrimônio público da Fundação.
A presidenta Maria Marighella anunciou ainda, durante a abertura da exposição, a assinatura da carta de interesse do Brasil para participação no IberArtes Visuais, iniciativa voltada à articulação das artes na Ibero-América, nos mesmos moldes dos programas Ibercena, Ibermúsicas e Iberorquestras Juvenis, dos quais o Brasil já faz parte, representado pela Funarte, ampliando a presença internacional das artes brasileiras.
A visitação segue aberta até 15 de maio, de segunda a sexta, das 10h às 18h, e sábados, das 12h às 17h, exceto feriados.
Palácio Gustavo Capanema: memória, retomada e presença pública
Símbolo da arquitetura modernista brasileira e da história das políticas culturais no país, o Palácio Gustavo Capanema foi novamente ocupado por um grande evento público, reunindo artistas, gestores e público em seus pilotis. Reaberto em 2025 após nove anos fechado, o edifício consolida-se como espaço estratégico para a retomada da presença pública das artes no Brasil.
As boas-vindas se deu com cortejo da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, que completa 45 anos de arte pública e que tem sua história ligada à ocupação deste território.
Show celebra a força da música brasileira contemporânea
Encerrando a programação, o show com a baiana Josyara e a potiguar Juliana Linhares reuniu o público em área aberta, em um espetáculo que articulou memória, criação e experimentação. A apresentação teria tido a presença também da paraibana Cátia de França, que não pôde comparecer por recomendação médica, e toda homenagem se fez também em seu nome. Percorrendo repertórios autorais, canções de Cátia de França e outras releituras, o show foi uma experiência cênico-musical que evidenciou as continuidades e reinvenções da tradição, especialmente no contexto das sonoridades nordestinas e das artes feitas por mulheres.
Uma nova etapa para as artes no Brasil
A culminância das comemorações dos 50 anos da Funarte reafirma o papel da instituição na reconstrução das políticas públicas para as artes no Brasil. Entre as entregas desse ciclo, estão a reestruturação institucional, a retomada da participação social, a criação de programas estruturantes e a implementação da Política Nacional das Artes, que orienta a atuação do Estado brasileiro na promoção, proteção e difusão das artes.
Mais do que uma celebração, o conjunto de ações marca uma inflexão histórica, a afirmação das artes como direito, como política pública e como fundamento da democracia cultural brasileira.
Fonte: Ministério da Cultura

