Crédito: Banco de Imagens
Órgãos de controle iniciam força-tarefa em janeiro para vistoriar frotas municipais e terceirizadas; pneus carecas, falta de cintos e tacógrafos vencidos são os principais motivos de apreensão.
Faltando poucos dias para o início do ano letivo, o Ministério Público e os Detrans estaduais anunciam “Operação Pente Fino” nos ônibus escolares. Para o gestor, a mensagem é clara: veículo irregular não sai da garagem.
O mês de janeiro é tradicionalmente dedicado ao planejamento pedagógico, mas em 2026 a prioridade nos gabinetes municipais deve ser a logística. Promotorias de Justiça de todo o país, em parceria com a Polícia Rodoviária e os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), intensificaram o cronograma de vistorias surpresa nas frotas de transporte escolar. A tolerância para itens de segurança é zero, e o risco de começar as aulas com ônibus apreendidos é real.
Para o prefeito, a imagem de um “amarelinho” sendo guinchado na porta da escola ou, pior, um acidente envolvendo estudantes, representa o pior pesadelo político e administrativo. Além do desgaste com a opinião pública, a falta de transporte gera evasão escolar e pode resultar em Ações Civis Públicas por improbidade administrativa.
O Perigo Mora nos Detalhes (e nos Terceirizados)
Um erro comum da gestão é focar apenas na manutenção da frota própria (os ônibus do Caminho da Escola) e “lavar as mãos” quanto à frota terceirizada. Cuidado: a prefeitura é solidariamente responsável pela segurança dos alunos transportados por empresas contratadas.
O contrato de prestação de serviço deve prever a obrigatoriedade da vistoria semestral. Se a empresa terceirizada colocar um ônibus com pneu careca para rodar, a culpa recairá sobre o município.
O Checklist da Blindagem
Para evitar surpresas na “blitz”, Secretários de Transporte e Educação devem realizar uma pré-vistoria interna imediatamente.
Os itens que mais geram apreensão e multas são:
Tacógrafo: O equipamento que registra a velocidade é obrigatório e precisa estar aferido pelo Inmetro (validade de 2 anos). Sem ele, o ônibus não roda.
Pneus: Pneus “carecas” ou recapados no eixo dianteiro são infração grave.
Cintos de Segurança: Devem estar presentes e funcionando em todos os bancos, não apenas nos da frente.
Sinalização: Lanternas de freio, setas e as faixas amarelas laterais (“ESCOLAR”) devem estar em perfeito estado.
Documentação do Condutor: O motorista precisa ter CNH categoria D ou E, ser maior de 21 anos e, crucialmente, ter o Curso de Condutor de Transporte Escolar averbado na carteira.
Gestão Preventiva
A recomendação é que a prefeitura se antecipe. Convidar o Conselho Tutelar ou o próprio MP para apresentar a frota antes das aulas começarem demonstra transparência e compromisso com a vida.
O transporte escolar é o primeiro contato do aluno com a educação no dia. Garantir que esse trajeto seja seguro não é apenas uma obrigação legal, é o primeiro passo para um ano letivo de sucesso.
Fonte: Código de Trânsito Brasileiro (CTB) – Art. 136 a 139 (Regras do Transporte Escolar)
