Guerra à Dengue: Ministério da Saúde Antecipa Recursos e Municípios Devem Contratar Agentes em Caráter Emergencial

Crédito: Banco de Imagens

Com a explosão de casos em janeiro de 2026, gestores correm para ampliar equipes de campo; saiba como realizar contratações temporárias (PSS) sem ferir a legislação eleitoral.

O cenário epidemiológico de 2026 acendeu o alerta máximo. O Ministério da Saúde iniciou nesta semana o repasse antecipado de verbas do Piso Fixo de Vigilância em Saúde (PFVS), exigindo que as prefeituras respondam com a ampliação imediata do efetivo de combate ao mosquito.

Estamos em 20 de janeiro de 2026, e os gráficos das Secretarias de Saúde mostram uma curva vertical preocupante. O combinação de calor extremo e chuvas intensas no início do ano criou o “caldo de cultura” perfeito para a proliferação do Aedes aegypti. Diante da superlotação das UPAs e do risco de uma epidemia de proporções históricas, o Governo Federal abriu o cofre para a vigilância, mas transferiu a responsabilidade da execução para a ponta: o município.

O dinheiro chegou (ou está chegando) na conta, mas o gargalo é humano. A maioria das prefeituras opera com quadros defasados de Agentes de Combate às Endemias (ACE). A pergunta que tira o sono do prefeito neste ano é: “Posso contratar gente em ano eleitoral?”.

A “Brecha” Legal da Emergência

A resposta é sim, mas com cautela extrema. Embora a Lei Eleitoral (Lei 9.504/97) imponha restrições severas à contratação de servidores em ano de pleito, a saúde pública e a situação de calamidade se sobrepõem à regra geral, desde que devidamente justificadas.

Para contratar ACEs agora, a prefeitura deve fugir da nomeação política e optar pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS).

Justificativa Técnica: O Secretário de Saúde deve emitir um parecer técnico comprovando o aumento exponencial dos casos e a insuficiência da equipe atual.

Caráter Temporário: O contrato deve ter prazo determinado (ex: 6 meses ou 1 ano), vinculado à duração do surto ou emergência.

Transparência: O edital deve ser público, com critérios objetivos de seleção, enviando cópia imediata ao Ministério Público para demonstrar boa-fé.

Onde Atacar: Larvas vs. Mosquitos

Com o reforço na equipe, a estratégia deve ser cirúrgica. O recurso federal deve custear não apenas os salários, mas também EPIs, larvicidas e o “fumacê” (UBV). Entender o ciclo do vetor é crucial para alocar o recurso: não adianta apenas passar o carro do fumacê se os focos de larvas dentro das casas não forem eliminados.

A Conta da Prevenção

Para o gestor de Finanças, liberar verba para contratar agentes agora é, na verdade, uma medida de economia. Um paciente com Dengue grave internado na UTI custa ao município dezenas de vezes mais do que o salário de um agente de endemias. Além disso, o colapso da rede de saúde em ano eleitoral é um desastre de gestão que nenhum prefeito quer enfrentar.

A ordem de Brasília é clara: o recurso está disponível. Cabe ao município transformar verba em equipes na rua antes que o mosquito vença a guerra.

Fonte: Ministério da Saúde – Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente

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