Fila Zero: Como Consórcios Regionais Estão Acabando com a Espera por Exames e Cirurgias no SUS

Crédito: Banco de Images

A espera de meses por uma cirurgia ou ressonância é a maior queixa do eleitor. Prefeitos inovadores estão zerando essas filas unindo forças em consórcios regionais para comprar serviços médicos em escala com preços de tabela SUS.

Nas pesquisas de opinião de março de 2026, a resposta do eleitor é quase unânime: a maior falha do Sistema Único de Saúde (SUS) nos municípios não é o atendimento básico, mas o “gargalo dos especialistas”.

A matemática é cruel para as prefeituras. Uma cidade de 30 mil habitantes não tem orçamento, nem demanda contínua, para manter um médico neurologista concursado ou comprar uma máquina de ressonância magnética de R$ 5 milhões. O município acaba dependendo da “cota” de exames liberada pelo Governo do Estado na cidade-polo da região. Como essa cota é sempre menor que a necessidade, a fila só cresce.

Mas prefeitos com visão estratégica cansaram de esperar pelo Estado. A solução que está varrendo o Brasil e garantindo a chamada “Fila Zero” atende por um nome: Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS).

A Força da Compra em Escala

Se um município tentar comprar 50 exames de tomografia na clínica particular da cidade vizinha, o preço será inviável. Mas o que acontece se 15 prefeitos da mesma região se unirem, formarem um Consórcio com CNPJ próprio e lançarem um edital para comprar 2.000 tomografias de uma só vez? O preço despenca.

O consórcio funciona como uma central de compras e gestão em saúde. A clínica privada ou o hospital filantrópico (como as Santas Casas) vence a licitação do consórcio e passa a atender os pacientes daquelas 15 cidades por valores muito próximos à Tabela SUS.

O Prefeito rateia o custo de manutenção do consórcio com seus vizinhos e paga apenas pelos exames e cirurgias que os moradores da sua cidade efetivamente utilizarem.

O “Mutirão da Fila Zero” em Ano Decisivo

Com o caixa do município protegido pelo baixo custo do consórcio, os gestores estão utilizando o primeiro semestre de 2026 para promover grandes mutirões.

A estratégia é cirúrgica: a Secretaria de Saúde levanta a demanda reprimida (quantas pessoas estão esperando cirurgias de hérnia, vesícula, catarata ou exames de alta complexidade). O Consórcio contrata as clínicas regionais para operarem em horários estendidos e aos finais de semana.

Em questão de três ou quatro meses, a prefeitura consegue ligar para aquele cidadão que estava esperando há um ano e agendar o procedimento para a semana seguinte.

O Impacto Político e Humano

Zerar a fila de espera da saúde não é apenas um ato de gestão fiscal brilhante, é a política pública de maior impacto emocional que um prefeito pode entregar.

Quando um idoso volta a enxergar após uma cirurgia de catarata rápida, ou quando uma mãe consegue o diagnóstico precoce para o filho porque a tomografia saiu em três dias, o município entrega dignidade. O cidadão não quer saber se o dinheiro veio do Governo Federal, do Estado ou do consórcio; ele sabe que foi a Prefeitura quem resolveu a dor dele.

Ficar isolado na gestão pública de 2026 é assinar um atestado de ineficiência. A união dos municípios através dos consórcios prova que as fronteiras das cidades não podem ser barreiras para salvar vidas.

Fonte: Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS): Dados sobre a eficiência dos Consórcios Intermunicipais de Saúde (CIS).

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