REURB como Vetor de Desenvolvimento: Títulos de Propriedade nas Prefeituras

Prefeito e moradores em solenidade de entrega de títulos de propriedade de regularização fundiária urbana

Crédito: Banco de Imagens

Descubra como a REURB e a entrega de títulos de propriedade promovem inclusão social, valorização imobiliária e aumento de receitas municipais.

A existência de bairros e assentamentos informais consolidados é uma realidade presente em quase a totalidade das cidades brasileiras. O crescimento urbano desordenado ao longo das últimas décadas gerou um passivo social e imobiliário enorme: milhões de famílias vivem sem a posse legal de seus imóveis, enquanto os municípios lidam com “pontos cegos” no planejamento e na arrecadação tributária. Nesse cenário, a Regularização Fundiária Urbana (REURB) — instituída e aprimorada pela legislação federal (Lei nº 13.465/2017) — consolidou-se como uma das ferramentas de políticas públicas mais poderosas para transformar realidades locais.

Muito além do ato simbólico de entregar papéis à população, a REURB atua como um verdadeiro catalisador de desenvolvimento econômico local, unindo inclusão social, segurança jurídica e incremento sustentável das receitas municipais.

O impacto social: Dignidade, segurança e acesso ao crédito

Para as famílias beneficiadas — sobretudo nas áreas classificadas como REURB-S (Social), voltadas à população de baixa renda —, a obtenção da Certidão de Regularização Fundiária (CRF) registrada em cartório representa um divisor de águas:

Segurança Jurídica: Garantia definitiva da propriedade e direito de herança, afastando o receio constante de despejos ou disputas possessórias.

Inclusão Bancária e Crédito: Com o título do imóvel registrado, o morador passa a contar com uma garantia real. Isso abre portas para financiamentos bancários formais para reforma, ampliação da moradia ou abertura de pequenos negócios locais.

Valorização do Patrimônio: Um imóvel regularizado no mercado imobiliário sofre uma valorização imediata de 30% a 50%, gerando ganho patrimonial direto para famílias vulneráveis.

O impacto fiscal e urbano: Cidade formal e receitas próprias

Do ponto de vista da administração pública municipal, a REURB resolve um dilema histórico. A informalidade impede o poder público de cobrar impostos de forma justa e dificulta a justificativa técnica para a extensão de redes formais de água, luz, pavimentação e coleta de lixo.

Ao trazer o bairro informal para a “cidade oficial”, o município colhe frutos fiscais e urbanos expressivos:

Atualização do Cadastro Imobiliário (IPTU): A regularização permite o cadastramento formal das edificações no sistema de geoprocessamento da prefeitura. Terrenos antes registrados apenas como glebas brutas passam a figurar como lotes individuais, expandindo a base de cálculo do IPTU sem a necessidade de aumento de alíquotas.

Dinamização do Mercado e Arrecadação de ITBI: Com os imóveis devidamente registrados no Cartório de Imóveis, as transações de compra e venda deixam de ser feitas via “contratos de gaveta” e passam ao mercado formal, gerando arrecadação contínua de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

Eficiência na Prestação de Serviços Públicos: Logradouros oficiais com CEP e numeração correta facilitam a logística de entregas, serviços postais, rotas de ambulâncias e patrulhamento da Guarda Municipal.

REURB-E: Opotunidade para imóveis de médio e alto padrão

É fundamental que os gestores públicos lembrem que a ferramenta não se restringe às comunidades de baixa renda. A REURB-E (Específica) aplica-se a loteamentos e ocupações informais consolidadas por populações de média e alta renda (como condomínios de chácaras ou bairros residenciais não regularizados).

Na REURB-E, todos os custos de estudos ambientais, projetos urbanísticos e taxas cartorárias são arcanos integralmente pelos próprios beneficiários, gerando custo zero para a prefeitura e retorno imediato em regularização fiscal e contrapartidas em obras de infraestrutura para o município.

Como estruturar um programa de REURB eficiente na prefeitura

Para garantir o sucesso dos processos e evitar travamentos cartorários, especialistas em direito urbanístico recomendam aos gestores locais:

Criar Núcleo Técnico Interdisciplinar: Integrar advogados, arquitetos, assistentes sociais e agrimensores na secretaria de habitação ou planejamento.

Diálogo e Convênios com Cartórios de Imóveis (RI): Estabelecer fluxos contínuos de comunicação com os oficiais de registro de imóveis da comarca para alinhar os requisitos de qualificação das certidões.

Uso de Tecnologia Geoespacial: Utilizar mapeamento com drones e imagens de satélite de alta resolução para agilizar o levantamento topográfico cadastral (LDT) dos núcleos urbanos informais.

A REURB prova que a gestão pública moderna pode promover justiça social e responsabilidade fiscal ao mesmo tempo, transformando a informalidade em cidadania, desenvolvimento urbano e prosperidade para todo o município.

Da Redação

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