Crédito: Einvestidor / Banco de Imagens
Atualização da versão do sistema V7 do CadÚnico gera instabilidade e filas nos CRAS; Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) implementa bloqueio preventivo para novos cadastros unipessoais sem visita domiciliar.
O ano começou tenso para a Assistência Social. Enquanto o sistema federal passa por manutenções que deixam o atendimento lento, novas diretrizes de fiscalização exigem que as prefeituras visitem a casa de quem diz morar sozinho.
Quem passou pela porta de um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) nesta última semana de janeiro de 2026 notou filas maiores que o normal. O motivo é uma “tempestade perfeita” burocrática: a instabilidade técnica do Sistema de Cadastro Único (que passa por migração de servidores em Brasília) somada ao endurecimento das regras para as chamadas famílias unipessoais.
Para o Secretário de Assistência Social e para o Prefeito, a situação exige comunicação rápida. A população tende a culpar a prefeitura pela demora no atendimento, quando, na verdade, trata-se de uma atualização nacional e de uma mudança de regra federal para combater fraudes.
O Alvo: Famílias Unipessoais
O foco do Governo Federal em 2026 é corrigir distorções históricas. Durante a pandemia e o período eleitoral passado, houve uma explosão de cadastros de pessoas que alegavam morar sozinhas, mas que, na verdade, dividiam a casa com a família, apenas para receberem duas ou três cotas do benefício na mesma residência.
A partir de agora, o sistema trava novos cadastros unipessoais automáticos.
Obrigação de Visita: Para inserir uma pessoa que mora sozinha no sistema, o município é obrigado a realizar a visita domiciliar para comprovar a condição, anexando parecer técnico.
Upload de Documentos: O sistema agora exige digitalização de comprovantes de residência específicos em nome do titular.
Como mostra o fluxo acima, o que antes levava 15 minutos no balcão, agora exige deslocamento da equipe técnica até a casa do cidadão, aumentando drasticamente o tempo de deferimento do benefício.
Instabilidade Técnica: O “Apagão” de Janeiro
Além da burocracia, a tecnologia não tem ajudado. O Dataprev realiza, ao longo de janeiro, manutenções para integrar o CadÚnico aos novos programas de 2026 (como o Pé-de-Meia e o novo Bolsa Atleta). Isso resulta em “telas brancas”, lentidão e quedas de sistema nos horários de pico (10h às 14h).
Estratégia para o Gestor: Não deixe o cidadão esperando na fila sob o sol se o sistema não vai voltar.
Agendamento Escalonado: Implemente senhas com hora marcada para evitar aglomerações.
Triagem: Use a equipe para verificar documentação na fila. Se faltar documento ou se for caso de visita domiciliar, agende a visita e dispense o cidadão do balcão, focando o sistema em quem precisa apenas de atualização simples.
A Importância da Base Limpa
Apesar do transtorno inicial, a medida é positiva para o município a longo prazo. Uma base de dados “suja” (com gente recebendo indevidamente) prejudica o Índice de Gestão Descentralizada (IGD-M), que é o índice que define quanto dinheiro a prefeitura recebe de Brasília para custear a própria Assistência Social.
Limpar a base agora significa garantir mais recursos para o CRAS no segundo semestre. O momento é de explicar à população que a fiscalização garante que o dinheiro chegue a quem realmente precisa.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome (MDS)
