Crédito: Banco de Imagens
Com execução rápida e baixo custo, prefeituras revitalizam espaços ociosos por meio da inclusão digital, criando “ilhas de segurança” e conquistando a nova geração de eleitores.
Até o final do ano passado, a rotina noturna na praça central do bairro onde vive o jovem Lucas, de 18 anos, seguia um roteiro sombrio e previsível. Com bancos quebrados e iluminação precária, o local tornava-se, assim que o sol se punha, um ponto dominado pelo consumo de drogas e pelo abandono. Para os moradores do entorno, a regra era trancar os portões cedo e evitar passar por ali. Lucas, assim como a maioria dos jovens da periferia que dividem pacotes de dados de celular limitados, passava as noites trancado no quarto.
Hoje, quem passa pela mesma praça em uma sexta-feira à noite encontra um cenário irreconhecível. Os bancos estão ocupados por grupos de adolescentes jogando partidas de esportes eletrônicos (eSports) em seus celulares. O carrinho de churros e a barraca de cachorro-quente, que haviam sumido do bairro por medo de assaltos, voltaram a estacionar na calçada. O que trouxe a vida, as famílias e o comércio de volta não foi uma grande obra civil de milhões de reais, mas uma antena no alto de um poste. A praça ganhou internet Wi-Fi pública de alta velocidade.
Para os prefeitos que estão com o calendário apertado neste final de maio de 2026, lutando para fazer entregas visíveis antes que a Legislação Eleitoral trave a máquina pública em julho, o projeto das Praças Digitais desponta como uma das estratégias de urbanismo tático mais inteligentes, baratas e eficazes do mandato.
A difícil conexão com o eleitor do futuro
Todo político sabe que dialogar com a juventude (especialmente a faixa dos 16 aos 24 anos) é um desafio complexo. Esse público consome informações de forma diferente, não assiste aos telejornais tradicionais e, na grande maioria das vezes, não se impressiona com promessas clássicas de campanha, como a construção de asfalto ou pontes. Para o jovem, a infraestrutura que importa é a conectividade. Estar desconectado é, hoje, a forma mais cruel de exclusão social.
Muitas prefeituras gastam fortunas revitalizando o paisagismo de praças, instalando coretos e plantando flores, apenas para ver o espaço ser depredado poucos meses depois por falta de uso da comunidade. A praça bonita, sem um atrativo que dialogue com o século XXI, continua vazia.
Ao inverter essa lógica e investir primeiro na instalação de roteadores de Wi-Fi de longo alcance, a gestão municipal resolve a dor da exclusão digital e transforma o espaço público em um ímã magnético para a juventude.
Segurança Pública pelo conceito de “Ocupação”
O grande diferencial estratégico desta ação não está apenas na tela do celular, mas na segurança do bairro. Estudos modernos de criminologia ambiental provam que o melhor antídoto contra o vandalismo e a criminalidade de oportunidade é a “vigilância natural”, também conhecida como “olhos na rua”.
Quando a prefeitura oferece internet gratuita e de qualidade, os jovens saem de casa para usar o sinal. A presença dessa juventude atrai o comércio ambulante. O comércio atrai os pais, que descem para comer um lanche e observar os filhos. Em questão de semanas, a praça é tomada por famílias. O traficante de drogas ou o assaltante, que antes agia acobertado pelo vazio e pelo silêncio, sente-se intimidado pelo alto fluxo de “pessoas de bem” e abandona o local.
O prefeito entrega, de uma só vez, inclusão digital e segurança pública — e o faz sem precisar contratar um único guarda municipal a mais ou construir novas delegacias. A própria sociedade, ao ocupar o que é dela, expulsa a criminalidade de forma orgânica.
Velocidade de implantação e comunicação direta
Diferente de erguer um prédio, que sofre com o risco de chuvas, atrasos de material e licitações travadas, a implantação de uma Praça Digital é um processo extremamente célere.
Muitas prefeituras estão firmando parcerias (Termos de Cooperação) com Provedores Regionais de Internet (ISPs), empresas locais que já possuem a fibra óptica passando pela rua. Em troca de uma placa publicitária na praça (“Internet oferecida pela Empresa X em parceria com a Prefeitura”), o provedor instala os roteadores a custo quase zero para o município. Outra via legal rápida é a carona em Atas de Registro de Preços (ARP) do Governo Federal para aquisição de equipamentos de tecnologia.
O trunfo político final dessa operação é o canal direto de comunicação que se abre. Para que o cidadão acesse o Wi-Fi gratuito, ele passa por uma tela inicial no celular (o chamado portal cativo). Essa tela torna-se a principal vitrine institucional da prefeitura. Antes de navegar, o morador visualiza as campanhas de saúde (como mutirões de vacinação), alertas da Defesa Civil ou prazos de serviços municipais.
Nesta reta final de mandato, entregar uma Praça Digital é mostrar que o município não apenas cuida do cimento, mas também do futuro das pessoas. A gestão que conecta a cidade com a internet, acaba conectando o seu legado com o coração e a mente da próxima geração de eleitores.
Fonte: Ministério das Comunicações


