Crédito: Banco de Imagens
Com teto ampliado para até R$ 350 mil e juros reduzidos, programa federal incentiva municípios a entrarem com contrapartidas financeiras ou terrenos para zerar a entrada das famílias.
As novas regras do programa habitacional, vigentes desde o dia 2 de janeiro, colocam a prefeitura no centro da solução: ao doar áreas ociosas ou urbanizadas, o município viabiliza empreendimentos que o mercado sozinho não conseguiria entregar.
O ano de 2026 começa com uma janela de oportunidade histórica para prefeitos que desejam deixar um legado na habitação. O Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal oficializaram as novas diretrizes do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que trazem um aumento significativo no teto do valor dos imóveis (chegando a R$ 350 mil na Faixa 3) e subsídios mais robustos. Mas a grande “virada de chave” para a gestão municipal está na modalidade que incentiva a parceria local.
Agora, a participação da prefeitura deixou de ser apenas burocrática (aprovar projetos) para ser financeira e patrimonial. O governo federal desenhou o programa para que os municípios entrem com contrapartidas — seja a doação de terrenos públicos bem localizados ou aporte financeiro direto — para abater o valor de entrada do imóvel, o principal obstáculo para a população de baixa renda.
O Poder da Contrapartida: Entrada Zero
Para muitas famílias que pagam aluguel, a prestação da casa própria cabe no bolso, mas a entrada de R$ 10 mil ou R$ 20 mil é proibitiva. É aqui que entra a inteligência da gestão municipal:
Doação de Terrenos (Land Bank): A prefeitura identifica áreas vazias em zonas urbanas (os “vazios urbanos” que muitas vezes geram mato e insegurança) e as doa para o programa. O valor do terreno é descontado do custo final da obra.
Redução do Custo: Com o terreno “grátis” ou subsidiado, o valor do apartamento cai. Essa diferença zera ou reduz drasticamente a entrada exigida pelo banco.
Resultado: A família sai do aluguel, a prefeitura resolve um problema urbano e o déficit habitacional cai sem que o município precise construir o prédio sozinho (o que é caro e demorado).
Aquecimento da Construção e ISS
Além do impacto social, as novas regras do MCMV 2026 são um motor para a economia local. O aumento do teto permite que construtoras locais lancem projetos melhores e mais caros, movimentando as lojas de material de construção e gerando empregos diretos para pedreiros, eletricistas e engenheiros da cidade.
Para o cofre municipal, isso se traduz em aumento de arrecadação de ISS (Imposto Sobre Serviços) durante a obra e, futuramente, de IPTU de imóveis regularizados, substituindo ocupações informais que não geravam receita.
O Dever de Casa do Gestor
Para aproveitar as regras de 2026, a prefeitura precisa ser ágil. É necessário mapear os terrenos disponíveis, aprovar leis municipais autorizativas para a doação com encargos (focada em habitação social) e buscar a Superintendência da Caixa para enquadrar os projetos.
Em ano eleitoral e de fechamento de ciclo, entregar a chave da casa própria é, sem dúvida, a política pública mais visível e transformadora que um prefeito pode realizar. A ferramenta está na mesa; cabe ao gestor usá-la.
Fonte: Ministério das Cidades – Portarias do Novo MCMV 2026
