Desenvolvimento Social: Tratamento Terapêutico

Relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) revela um aumento significativo no consumo de drogas em todo o mundo. Em 2020, cerca 284 milhões de pessoas, com idades entre 15 e 64 anos, fizeram uso de substâncias psicoativas, um aumento de 26% em relação a uma década atrás. 

Os dados são, também, preocupantes no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, somente em 2021, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 400,3 mil atendimentos a indivíduos com transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de drogas e álcool. A maioria desses pacientes é do sexo masculino, com idades entre 25 e 29 anos.

Diante desse cenário alarmante, a política de enfrentamento às drogas do Estado de São Paulo, através do Desenvolvimento Social, adotou uma abordagem que engloba tanto medidas preventivas como tratamento terapêutico.  

Países como Portugal, Holanda e Suíça implementaram uma abordagem abrangente que vai além da criminalização. Seus focos foram o apoio e tratamento adequados aos dependentes. Assim, eles conseguiram reduzir os danos associados ao uso de drogas e promover uma maior integração social dos indivíduos afetados. 

Um dos pontos cruciais dessa luta é o fortalecimento dos vínculos familiares. A família é um pilar de apoio emocional e social, pois ajuda a estabelecer um ambiente de suporte e compreensão, promovendo a motivação e o engajamento do dependente na busca da sobriedade.  

Uma família unida e coesa é fundamental para diminuir o sentimento de isolamento e culpa que muitas vezes acompanha a dependência. Ela ajuda a prevenir o uso de drogas e a reduzir recaídas no vício. Ciente dessa importância, o governo de São Paulo decidiu completar o ciclo de recuperação do dependente químico lançando um serviço inédito: o Espaço Prevenir. 

Com investimento anual de R$ 600 mil, a primeira unidade inaugurada em São José dos Campos funciona em uma confortável casa, de terça a sábado, das 10 às 21h. No local, as famílias recebem acolhimento psicoemocional por meio de profissionais como psicólogos e assistentes sociais. Os atendimentos são individuais, com orientações e encaminhamentos, além de terapia em grupo e atividades de convivência social. Para ter acesso, basta procurar o Espaço Prevenir do município.

Em breve, as cidades de Ribeirão Preto, São José de Rio Preto e a capital paulista contarão, também, com o Espaço Prevenir, aumentando ainda mais nossa capacidade de combater a dependência química e acolher aqueles que desejam voltar a ter esperança de uma vida longe das drogas. Só assim vamos poder dar um basta nessa catástrofe que destrói famílias, provoca incontáveis prejuízos à economia das cidades e põe em risco a segurança dos cidadãos.  

Por Gilberto Nascimento, secretário estadual de Desenvolvimento Social 

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