Municípios com até 100 mil habitantes são os que mais avançam na modernização da iluminação pública

Avanços das PPPs, os impactos da telegestão, e características técnicas que possibilitam o uso da iluminação de forma mais eficiente e consciente estão
transformando os cenários urbanos e apontando os novos rumos do setor

Os investimentos em projetos de modernização da iluminação pública (IP) no Brasil já se aproximam dos R$ 23 bilhões e, apesar do movimento das grandes metrópoles em inovar seus parques, são os municípios com até 100 mil habitantes que respondem por mais da metade das concessões público-privadas de iluminação (PPPs): cerca de 53%, segundo dados apresentados por Pedro Vicente Iacovino, diretor presidente da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Iluminação Pública (ABCIP), na palestra Concessões de iluminação pública: Uma oportunidade aos municípios brasileiros, atração do II Fórum Brasileiro de Iluminação Pública, realizado na quinta-feira (4), na Expolux.

“Antes, os contratos eram de manutenção, atualmente, estão atrelados à modernização e a um plano diretor da iluminação pública e as PPPs viabilizam a inovação em curto prazo”, contou Iacovino. Como forma de destacar a expansão da iniciativa, o especialista revelou que a primeira PPP aconteceu há oito anos, e que, atualmente, 78 cidades contam com as parcerias, sendo nove capitais. Neste sentido, a população beneficiada chega a 40 milhões de pessoas, representando 25% da população brasileira, e 436 cidades estão desenvolvendo projetos de concessões, o que impactará mais 50 milhões de habitantes. “Se viabilizarmos
isso, chegaremos a quase metade da população brasileira atendida por regimes de PPPs de concessão pública”.

Para o Dr. Oswaldo Sanchez, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), que conduziu a palestra o Futuro da Iluminação Pública, o processo deve ter como foco quatro pilares: social, econômico, cultural e ambiental (sustentável). Além disso, ele destacou alguns temas que devem ser monitorados por profissionais que atuam no setor, como projeto de IP via software com uso de arquivos de dados padronizados como o Building Information Modeling, o BIM, a chegada do 5G, a nova norma ABNT NBR 5101, que traz alguns requisitos de instalação, e estudos de Human Centric Light (HCL) associados às necessidades humanas.

“Tanto para a sinalização viária, quanto para iluminação, e, nesse caso, não estou mencionando apenas o IP, mas considerando também projetos residenciais e comerciais, a preocupação com a saúde, com a relação da diferença dos comprimentos de onda e com o nosso ciclo circadiano, irão fazer cada vez mais diferença”, afirmou Sanchez.

Na palestra Qualidade de Iluminação Pública, Luciano Rosito, diretor comercial da Tecnowatt Iluminação, reforçou algumas necessidades técnicas dos projetos em esfera pública, como, por exemplo, a importância de se pensar melhor a distribuição de luz, maior atenção à iluminação vertical, ou seja, aquela que atinge os olhos das pessoas, ao invés de valorizar apenas aquela que ilumina uma determinada área de superfície; evitar a poluição luminosa que afeta também a saúde humana e discutir questões relacionadas ao espectro de cor e não apenas à temperatura.

“Iluminar de maneira correta, não é colocar mais luminárias, mas iluminar o necessário, mas com inovação, é mais do que substituir lâmpadas a vapor de sódio por LED, é, além disso, apostar na iluminação adaptativa, no uso de telegestão e aplicar os conceitos de cidade inteligente”.

Telegestão foi o tema da palestra apresentada por Adalberto Battistini, responsável pelo suporte e desenvolvimento de novos negócios da Signify na América Latina e um dos coordenadores da norma latino-americana de telegestão. “O Brasil representa um dos principais mercados de telegestão do mundo. Isso porque temos as oportunidades que estão surgindo com as PPPs, onde quase todas pedem a instalação de sistemas para melhorias dos indicadores de serviços”.

Entre os benefícios operacionais apontados estão: gerenciamento preventivo, manutenção rápida e facilitada, obtenção de informações em tempo real, possibilitando verificar se a lâmpada está com falha, acesa ou apagada, além do acesso aos dados de campo.

“No ano passado, saiu uma resolução da Aneel e, recentemente, uma do Inmetro, que permitirão o uso dos dispositivos de telegestão para faturamento de energia elétrica, não só para o monitoramento do grau de desempenho e das condições operacionais, permitindo, por exemplo, a aplicação de dimerização em vias de acordo com o fluxo”, explicou Battistini.

A palestra Nova Norma de Iluminação Pública, com Plínio Godoy, engenheiro, lighting designer e coordenador do Comitê ABNT-CE 003:034 – Ampliações Luminotécnicas e Medições Fotométricas – Iluminação Viária, encerrou a edição do Fórum. Soluções modernas para iluminação pública estão à disposição dos visitantes nos estandes. A HGE, por exemplo, trouxe para a Expolux, um lançamento exclusivo: uma luminária com dispositivo de proteção contra surdos (DPS) externo, equipamento que protege os pontos de iluminação de danos durante picos de tensão, que possibilita a troca ou revisão do componente, sem a necessidade de retirar e descer a luminária do poste.

“As luminárias convencionais têm o componente interno, a manutenção envolve abrir o item e, na maioria das vezes, o anel de vedação e outras peças precisam ser substituídas. A novidade facilita a revisão de iluminação pública, porque reduz muito o trabalho, o tempo e o custo das empresas”, explicou Augusto Luiz de Almeida, representante de vendas da HGE.

Soluções de autossuficiência energética também têm chamado a atenção no evento em iluminação exterior. “Estamos tendo uma demanda muito grande, tanto de empresas que estão trocando suas luzes, quanto de pessoas físicas interessadas em substituir os pontos de iluminação convencionais por sistemas de captação de energia solar em sítios e jardins”, acrescentou Almeida.

Da Redação

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